Massacre na Escola de Realengo

É claro que não preciso descrever o que nós lemos e ouvimos em todos os noticiários do dia. Já estamos bastante entristecidos e estarrecidos diante dessa tragédia. Mas me sinto na obrigação de tentar entender o que aconteceu através das informações dos jornais.
Tudo indica que se trata de um jovem que sofria de uma doença mental. Como muitos que têm esse distúrbio, e não são levadas ao tratamento médico. Ouvimos que o jovem escreveu uma carta, em que premeditava a sua própria morte. Pede para ser enterrado em um ritual que não é comum no Brasil (nu e envolto em lençol branco). Pede para que pessoas “impuras” (considerava no seu delírio os não virgens e adúlteros como impuros) não o toquem. Por esses indícios, parece que ele sofria de um delírio místico (deturpação da realidade com conteúdo religioso).
Outros dados de doença mental são contados pelos familiares, de que ele vinha insidiosamente mudando o seu comportamento com mudança da aparência, isolamento social e comunicação apenas pela Internet. É claro que esses sintomas são acompanhados de uma falta de lógica. Por isso não se entende o motivo de entrar naquela escola e atirar em crianças que nem o conheciam. Isso é uma pergunta que nós fazemos, não o psicótico. Ou seja, ele já demonstrava que ele estava doente. Demonstrava que precisava de auxílio psiquiátrico e psicológico.
O meu objetivo aqui é fazer com que todos deixem de estigmatizar a doença mental e a ida ao psiquiatra. É muito comum as pessoas isolarem o doente mental ou tentar mascarar os sintomas. Vejo pacientes graves chegarem ao consultório, com um familiar que achava que ele era apenas “esquisito”, que ele ficou traumatizado porque teve um rompimento amoroso ou teve um aborrecimento no trabalho.
Esse jovem parece que sofria de uma doença mental grave manifestado por delírio, isolamento social, evolução insidiosa e mudança de comportamento. Tudo leva a crer que sofria de Esquizofrenia Paranóide. Vale a pena ressaltar que não é prevalente criminalidade nos doentes mentais, os que cometem são exceção. Geralmente eles que sofrem as agressões decorrentes da discriminização.

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