Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Essa patologia passou a estar no centro de discussão da mídia, dos educadores e dos pais. Alguns são defensores dessa categoria como um problema médico e outros defendem a idéia de que é uma doença criada para vender remédios e mascarar falhas na  educação das crianças.
Vamos lá, o Transtorno de Déficit de Atenção é uma doença categorizada na Classificação Internacional de Doenças, junto a todas as outras patologias pelo código F90 (CID X) . Não é uma doença recente, os primeiros relatos aparecem no século 19.
É uma doença cujo diagnóstico é feito pela clínica/ anamnese, ou seja, pelas queixas descritas pelos pacientes, professores, cuidadores e pais. Não há auxílio de exames complementares como ressonância magnética, mapeamento cerebral e SPECT, entre outros.
O TDAH ocorre em 3 a 6% das crianças. Cerca de 60% desses pacientes persistem com o déficit de atenção na vida adulta. Na Infância é mais comum em meninos e geralmente com predominância de hiperatividade. Com o avanço da idade, a desatenção predomina com incidência maior, semelhante às meninas, em qualquer faixa etária.
Sabemos que o distúrbio de atenção é multifatorial, ou seja, têm diferentes causas: fatores genéticos, ambientais e neuroquímicos. Verificamos que o fator genético tem muita predominância, a chance de pais terem TDAH e passarem para os seus filhos é enorme; também há concordância entre gêmeos. Por isso, quando chamamos os pais para conversar, é comum pelo menos um deles referir que tinha a mesma dificuldade na Infância. Os fatores ambientais que têm destaque são a exposição à nicotina e ao álcool durante a gestação. 
Há um comprometimento da região frontal do cérebro, que é responsável pelas funções executivas e também funciona como um freio. Essas funções são de extrema importância no dia a dia do indivíduo, tais como iniciativa, planejamento e organização de tarefas, fluência e memória operacional, inibição de comportamento, auto controle, elaboração de raciocínio abstrato, alternância de tarefas, geração de hipóteses, resolução de problemas, manutenção de  esforço sustentado, regulação de comportamentos e criatividade. Não se consegue frear ou filtrar os estímulos a sua volta.
Portanto, é melhor começar o tratamento o mais cedo possível . Evitamos assim um prejuízo escolar com conseqüente baixa auto-estima e mudança de interesses (Por exemplo, pra que estudar, eu não consigo mesmo. Vou matar aula e fazer o que gosto). Além disso, se não tratado, o TDAH favorece o aumento na incidência de distúrbios de conduta na adolescência, com predomínio de uso de álcool e drogas (vide parágrafo anterior há alteração na capacidade de inibir comportamento).
Paciente podem ser divididos em 3 grupos:  o distúrbio de atenção como predominante, ou o de comportamento hiperativo como predominante ou concomitante.
Os pacientes com sintomas de déficit de atenção como predominante  são acompanhados geralmente das seguintes reclamações: não presta atenção a detalhes (cometem erros por omissão ou descuido), dificuldade de manter a atenção em atividades lúdicas (não consegue por exemplo, num intervalo, jogar damas com os amigos), parece não ouvir quando lhe dirigem a palavra (vivem no mundo da lua), tem dificuldades em seguir instruções ( dificuldade em responder perguntas sequenciais), dificuldade em organizar tarefas e atividades (na véspera da prova estuda a matéria trocada), reluta em envolver-se em atividades que exijam esforço mental (desistem de ler um texto só pelo tamanho, respondem com frases curtas),perde coisas (esquece a pesquisa em cima da mesa), distrai-se facilmente por qualquer estímulo externo e tem esquecimentos em atividades diárias (perde a lancheira na escola, esquece de ir ao curso de inglês) .
Já os do grupo com predomínio de hiperatividade/ impulsividade são: inquietos, mexem as mãos e os pés, não conseguem ficar sentados muito tempo, correm em demasia, tem dificuldade em fazer alguma atividade em silêncio, falam muito, dão respostas precipitadas antes das perguntas acabarem, tem dificuldade em esperar sua vez e interrompe as conversas ou atividades dos outros.
O terceiro grupo tem as características dos dois grupos.
Você pode imaginar que todos  têm esses sintomas em algum momento da vida e não sofrem de TDAH. É, isso pode ser verdade. Para ser considerado com TDAH esses sintomas tem que causar prejuízo em sua vida social ou profissional. Se você tiver um desses sintomas com intensidade, mas leva sem prejuízo seu dia a dia, você não tem TDAH.
O Tratamento consiste em medicamento e terapia cognitiva. 
O único medicamento aprovado para o TDAH no Brasil até o momento é o psicoestimulante metilfenidato.   É importante enfatizar que essa droga está sendo usada desde 1937 e os médicos já tem um grande conhecimento desse fármaco através de muitos trabalhos científicos e de prática clínica. O metilfenidato age regularizando a dopamina e a noradrenalina da região frontal do cérebro. Traz a melhora da desatenção, impulsividade e da hiperatividade. Existem três formas de apresentação do metilfenidato aqui no Brasil: a de ação curta, que precisa ser usada duas a três vezes ao dia, outra que dura oito horas e uma terceira que dura doze horas ao dia. O critério de escolha do metilfenidato deve ser feito em cima do número de atividades e horas que o paciente precisa estar ativo durante o dia.
Como qualquer doença mental, o TDAH pode seguir associado a outras (comorbidade), tais como: transtornos de aprendizagem, transtornos de humor, transtornos ansiosos, transtorno desafiador, transtorno com uso de álcool ou drogas. Para escolher o melhor tratamento temos que associar o metifenildato ao tratamento da comorbidade e adquirir atitudes que melhorem o seu cotidiano (auxiliar na rotina, organização, criação de  lembretes, planejamento de estudo/atividades, como por exemplo, guardar os objetos sempre no mesmo local).
E não se esqueça: o TDAH é uma doença, e como toda doença, quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhor é o prognóstico.

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