A Farmacoterapia não representa nem o Início nem o final do Tratamento do TDAH

Conforme apresentação no Congresso Europeu de Psiquiatria, realizado em Nice no período de 6 a 9 de novembro de 2013, a Dra Sandra Kooij afirmou que a Farmacoterapia nunca é o início e nem o final do tratamento do TDAH.

Ela afirmou que sua pesquisa em pacientes adultos com TDAH demonstrou que todos tiveram o seu início clínico na Infância, mesmo os que não buscaram tratamento. Referiu também a importante expressão genética encontrada nesses pacientes. Todos afirmaram que tinham pelo menos um dos pais com curso de vida bem semelhante.

Demostrou que os adultos costumam se apresentar com mudanças de humor, prejuízo nos seus relacionamentos e dificuldade em lidar com dinheiro. Podem também apresentar abuso de álcool e outras drogas, que inicialmente podem reduzir os sintomas do TDAH e cruzar com o problema com o álcool. Isso pode causar confusão no momento do diagnóstico, e portanto influenciar no tratamento adequado.

Pode- se observar nesse modelo de entrevistas as outras patologias encontradas nesses indivíduos com TDAH. Isso é muito importante na pratica clinica, pois o paciente pode procurar ajuda,  de queixas de TDAH, e passar desapercebido queixas de outras comodidades. Ou também o inverso, pode nos procurar com queixas de algum diagnostico (como disfunção do sono, por exemplo) e nos não investigarmos a presença do TDAH, especialmente nos adultos, porque costumam confundir sintomas de TDAH com traços de sua personalidade. 

A maioria dos pacientes da pesquisa buscaram ajuda profissional em torno de 35 anos de convívio com a doença. Nunca souberam que o que consideravam características de sua pessoa fossem sintomas que causavam grave prejuízo profissional, pessoal e social, como parte de uma doença que tem tratamento.

Em sua pesquisa os pacientes eram diagnosticados por uma entrevista semiestruturada. Podem-se observar também as suas comorbidades.

Problemas de sono ocorreram em 80% dos pacientes, e se iniciaram na Infância. Todos se consideravam como pessoas típicas da noite, com muita dificuldade para iniciar o sono. Algumas pessoas citaram episódios extremos ainda crianças. Foi ressaltado que essa dificuldade para dormir também leva a outras comorbidades, como obesidade, diabetes, câncer e hipertensão arterial.

Nesse estudo observou-se também que os pacientes tem em média um atraso de uma hora e trinta minutos do sono por dia, ao longo da vida.

Os pacientes foram orientados a mudar hábitos antes de iniciar o tratamento do TDAH propriamente dito. Ela propôs uma higienização do sono, psicoeducação da doença e técnicas comportamentais, que melhorem a ansiedade e a depressão, associados na maioria dos pacientes com TDAH adultos. Foram também atendidos para orientação, como deveriam se organizar nas tarefas com a noção de tempo.

Depois desse primeiro passo, os pacientes eram encaminhados para o uso de drogas específicas para o TDAH. Ela acredita que se não passarem pelo primeiro passo de educação e orientação, dificilmente os pacientes irão se organizar de forma a aderir ao tratamento medicamentoso. Assim, responderiam a uma menor dose. 


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