quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enxaqueca (ou Cefaléia Migrânea)

A migrânea, mais conhecida como enxaqueca, é um tipo de dor de cabeça idiopática, recorrente e que pode durar de 4 horas a três dias.

Manifesta-se unilateralmente e 20% dos casos costumam evoluir para outra metade da cabeça. É pulsátil e geralmente acompanhada de náusea, fonofobia e fotofobia. Não é uma doença dos tempos modernos, como alguns artigos comentam. Existem descrições de enxaqueca com áurea desde o século XVII. Os estresses e correria dos tempos atuais contribuem para o surgimento ou agravamento de diversas patologias, inclusive a cefaléia.

Não há alterações estruturais. Os exames complementares são solicitados apenas para descartar outras causas

que podem estar agravando a enxaqueca. O diagnóstico de enxaqueca é clínico; sabemos que existe uma seqüência numa crise completa, composta de quatro fases.

- sintomas prodrômicos: sintomas que podem preceder em até 24 horas a crise. Geralmente, os pacientes queixam-se de depressão, irritabilidade, alteração de paladar ou desejo intenso por doce e sono intenso.

- Aurea: é uma manifestação que precede o início da enxaqueca. Os sintomas mais comuns são distúrbios visuais (10% relatam escotoma cintilante e 25% flashes de luz), parestesias, paresias ou afasia, sensação de déja vu , zumbido. O paciente já sabe que a enxaqueca vai vir em seguida, como contam nos consultórios.

- Cefaléia: geralmente unilateral. Pulsátil. Ocorre mais na região fronto parietal, mas pode se manifestar também como uma intensa dor atrás dos olhos.

- Resolução: exaustão, sono intenso.

A incidência da enxaqueca nos homens varia de 5 a 10% da população, e nas mulheres fica em torno de 15 a 20%. Para ambos os sexos, a prevalência aumenta na vida adulta. Existe uma contribuição genética: cerca de 55% dos pacientes tem um dos pais com história de enxaqueca.

Existem alguns fatores desencadeantes. Os mais comuns são estresse, sono prolongado, traumatismo craniano (especialmente em crianças), aumentar muito o intervalo entre as refeições, ingesta de alguns alimentos (chocolates, laranjas, comidas gordurosas e lácteas), privação de cafeína, odores fortes, mudança de pressão atmosférica, alterações climáticas abruptas e hormonais. Esses fatores não aparecem tão claramente na entrevista com o paciente: às vezes é necessário ser meio detetive. Por exemplo, pacientes chegam com queixa de que a cefaléia surge apenas nos finas de semana. Quando esmiuçamos o que ocorre de diferente nesses dias, é comum verificar que não tomam o cafezinho com a freqüência que toma durante o trabalho.

O tratamento da enxaqueca é  dividido em retirar o paciente da crise (fase aguda) e prevenir que aconteça uma recidiva. Existe uma série de medidas que devem ser tomadas, não medicamentosas e associadas a medicamentos. Deve se procurar um médico para obter orientações sobre o melhor medicamento, e para ensinamentos de como atenuar na vida desses pacientes os fatores desencadeantes.

È necessário levar a sério a avaliação e tratamento da enxaqueca, porque ela é uma das causas de prejuízo escolar e de absenteísmo no trabalho com maior impacto na vida do indivíduo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos da Dermatite Artefata

A Dermatite Artefata provém de lesões provocadas pelo paciente, em sua pele, com objetos pontiagudos ou cortantes, ou mesmo produtos químicos abrasivos. Essas lesões surgem abruptamente, em qualquer área do corpo. Geralment, o paciente conta uma história irreal e tenta disfarçar a verdadeira causa. O paciente sente um alívio muito grande da angústia no momento que provoca a lesão.
Quando procura ou é levado ao dermatologista, o paciente se apresenta calmo, apesar da família estar muito preocupada com as lesões que vem surgindo. Não há a queixa esperada de dor, que é compatível com a lesão, parece que não dói.
Pode ocorrer em qualquer idade, mas parece ser mais comum na adolescência e início da vida adulta, sendo mais freqüente no sexo feminino. A maioria das pacientes tem alteração no exame psíquico, como comportamento de personalidade borderline, transtornos dissociativos e transtornos de humor. Outros fazem apenas para chamar a atenção dos pais, para se ter benefícios psicológicos. Em algumas meninas, esse quadro precede um início de quadro de anorexia e bulimia.
De qualquer forma é imperativo que esse paciente tenha acompanhamento psiquiátrico e psicológico, tanto para tratamento do paciente como para orientar a família.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos das Dermato Compulsões

As dermato compulsões são lesões de pele decorrentes de atos compulsivos. O paciente não consegue resistir o impulso de se cutucar e se sente bastante aliviado quando o faz.
O paciente geralmente admite ser responsável pelos ferimentos, após uma forte sensação de  alívio, seguida de um bem estar momentâneo.Os ferimentos geralmente ocorrem através das próprias unhas em face, ombro, pescoço ou antebraços. São localizações de fácil acesso e os ferimentos facilmente percebidos. O paciente pode provocar a lesão ou não deixar cicatrizar um ferimento anteior.
É mais comum em mulheres entre 30 e 40 anos, e responsável por 1 a 2% dos atendimentos nos ambulatórios de Dermatologia. Possui muita comorbidade com depressão, ansiedade e Transtorno afetivo bipolar.
Estudos demonstram que a associação de medicamentos antidepressivos ou estabilizadores de humor com psicoterapia melhora e evita a cronicidade do quadro.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos da Rosácea

Rosácea é uma doença inflamatória crônica com agudizações com uma ruborização em face. Há uma influência de alimentos, clima, efeitos gastrointestinais e psicológicos.Ocorre freqüentemente em mulheres, porém nos homens há manifestação da forma mais grave.

A idade varia de 30 a 60 anos, sendo mais comum entre a quarta e a quinta décadas. Geralmente ocorre em pessoas com pele mais clara. Parece que há uma predisposição genética.

Os aspectos emocionais que contribuem para a agudização da doença são a ansiedade, o abuso de álcool e a depressão. Cerca de 75% dos pacientes, após diagnóstico, sofrem de depressão, caracterizada por baixo auto estima, isolamento social e tristeza. Muitos desses sintomas passam despercebidos pelo especialista por parecerem secundários à rosácea, mas estes não desaparecem com a melhora clínica dermatológica.

Deve haver uma avaliação neuropsiquiátrica para melhorar o prognóstico, porque se sabe que a piora do aspecto emocional exacerba a rosácea.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos da Alopecia Areata

Alopecia areata é um tipo de calvície que consiste na perda repentina de cabelos ou pelos numa região específica. Geralmente surge no couro cabeludo. Mas pode ocorrer na barba, supercílio e púbis.
A incidência é igual em homens e mulheres. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, porem é mais prevalente entre a terceira e quinta década de vida.
Existem alguns estudos que demonstram que cerca de 90% dos pacientes tem causas emocionais envolvidas, como ansiedade, dificuldade de ajustamento e depressão.  Isso sugere que pacientes com distúrbios neuropsiquiátricos têm maior chance de desenvolver alopecia areata.
A avaliação neuropsiquiátrica ou psicológica se faz necessário nesses pacientes para melhorar o prognóstico e evitar recidiva clínica, que pode afetar a qualidade de vida desses pacientes.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos Comuns da Acne

A acne é uma doença auto limitada com causa genética e hormonal caracterizada por comedões  e pústulas. Dependendo da intensidade pode evoluir para abscessos e cicatrizes. É típico em adolescentes pela alteração hormonal. Cerca de 60% das meninas e 70% dos meninos sofrem de acne na puberdade.
Por surgir numa época em que eles estão muito vulneráveis a crítica dos seus pares e inseguros. As situações de exposição ao sexo oposto, por exemplo, contribuem para um maior quadro de ansiedade, fobia social e depressão, favorecendo o surgimento da acne.
Estudos sugerem que o estresse também contribui para agravamento da acne nos adolescentes, por aumentar os níveis de glicocorticóides e androgênios através da via do eixo hipotálamo pituitário adrenal.
Portanto, o tratamento associado com psicoterapia, e o uso de medicamentos que reduzem a ansiedade e a depressão, melhoram a qualidade de vida desses jovens.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Aspectos Neuropsiquiátricos Comuns em Paciente com Psoríase

A psoríase é caracterizada por lesões na pele avermelhadas e com descamações esbranquiçadas de evolução crônica. Geralmente surgem em couro cabeludo, cotovelos, joelhos e troncos. Como toda doença crônica tem um ciclo de melhoras e pioras, bastante relacionado aos aspectos emocionais do indivíduo.
Tem picos de predomínio de surgimento dessa doença, antes dos 30 anos e deppis dos 65 anos. Quanto mais precoce o surgimento pior o prognóstico e maior o impacto no emocional do indivíduo.

O estresse e ansiedade agravam muito a evolução da psoríase. Assim como a piora da psoríase agrava a ansiedade e o estresse da pessoa acometida. Esse ciclo, se não for interrompido com um tratamento multidisciplinar – dermatologia, psicoterapia e psiquiatria, fica num continum de piora e melhora.
Esse quadro vicioso leva a baixo auto estima, vergonha, isolamento social, agravamento da ansiedade, depressão e isolamento social.  Esses sintomas ainda mais agravam o quadro dermatológico da psoríase.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Doenças de Pele Associado a Doenças Mentais

A pele, por ser o órgão mais extenso do corpo, e onde qualquer patologia é vista socialmente, traz um grande impacto na esfera mental. Mesmo alterações fisiológicas nesse órgão já demonstram reações emocionais desse indivíduo. Por exemplo, ao ficar envergonhado, a pessoa sofre enrubescimento, ao ganhar um susto empalidece, ao ficar ansioso tem sudorese excessiva, ao ter frio apresenta piloereção.

Nós comunicamos as nossas emoções para o meio externo através da pele, imagine que quando sofremos algum distúrbio emocional mostramos através dessa interface. Por isso, estudos demonstratm que entre 30 e 40% dos pacientes dermatológicos apresentam doença psiquiátrica associada.

Podem surgir doenças mentais pelo próprio isolamento ou vergonha da aparência, como efeitos adversos de drogas usadas para melhorar a doença cutânea  e  como comorbidade pela própria genética (pele e sistema nervoso tem a mesma origem embrionária). Dessa forma, diversas alterações de pele são resultado de doenças psicossomáticas e da cronificação de algumas doenças mentais.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Encefalopatia Hepática - Sintomas Neuropsiquiátricos de Doenças Hepáticas

Muitas vezes somos chamados para avaliar pacientes que estão confusos, desorientados, insones, esquecidos e irritados (sem história prévia de manifestação psiquiátrica). Quando se trata de um idoso pode ocorrer confusão com o quadro de demência. Mas na verdade podemos estar diante de uma encefalopatia hepática.
A encefalopatia hepática ocorre quando o fígado adoece e acarreta alteração no cérebro. Isso porque o fígado é responsável pelo metabolismo de diversas substâncias. Quando alterado deixa diversas substâncias tóxicas no organismo caírem na corrente sanguínea, atravessarem a BHE (barreira hamatoencefálica) e atingirem o cérebro. O paciente não percebe as alterações da encefalopatia hepática.
Essas alterações comportamentais dos pacientes são vistas pelos familiares ou cuidadores, que referem que eles às vezes agem de maneira estranha, ora deprimidos, ora irritados. Costumam trocar o dia pela noite, ou seja, dormem de dia e se agitam à noite. Podem também agir de forma bizarra, como urinar no sofá da sala, como se estivessem no banheiro.
No exame, observamos que esses pacientes têm flapping da mão. Quando se pede para estender o braço, notamos que ocorre movimento para cima e para baixo de forma denteada. Se não tratados adequadamente podem evoluir para delírios, agitação psicomotora e alucinações.
A encefalopatia hepática atinge de 50 a 70% dos cirróticos, sendo que a causa mais comum de cirrose atualmente é a hepatite viral crônica. As hepatites mais comuns no Brasil são A, B, C e E. Mas os tipos B e C tem uma probabilidade grande de cronificação. Quando referimos cronificação queremos dizer que o estado inflamatório contínuo altera o tecido funcional do fígado.
A OMS estima que cerca de 5 milhões de brasileiros são portadores de vírus B e C. È importante fazer o diagnóstico o mais cedo possível da encefalopatia hepática, para intervirmos na proteção desse fígado acometido. Na maioria das vezes iniciamos um psicofármaco para melhorar a alteração de comportamento enquanto não se restitui um pouco o funcionamento hepático.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Depressão e Doença Cardiovascular

Cerca de 23% dos pacientes com doença cardiovascular tem depressão. Existem diversos fatores que contribuem com essa associação, tais como sedentarismo, tabagismo, estresse, desregulação do sistema autonômico, aumento de plaquetas e coagulação, aumentos de marcadores inflamatórios e aterogênese.
É fundamental cautela na escolha do antidepressivo, pois devemos considerar eficácia, interação com as medicações clínicas e segurança cardiovascular. Sabe-se que o uso do antidepressivo adequado nesses pacientes melhora a depressão, reduz o risco de eventos subseqüentes cardíacos e mortalidade.
Ressalto que para se escolher a medicação antidepressiva adequada o médico deve conhecer quadro clínico, meia vida, afinidades dos receptores, efeitos adversos, enzimas de eliminação e efeitos adversos. Sabendo disso não há necessidade de ter medo de se tomar mais um medicamento, porque haverá segurança e melhora na qualidade de vida desse paciente.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Depressão em pacientes Oncológicos

O diagnóstico de depressão é muito confuso nesses pacientes. Há queixa de cansaço, tristeza, desânimo, pessimismo, isolamento, dispersão, falta de prazer, dificuldade de concentrar, negativismo, alteração do sono, irritabilidade e insegurança.
Esses sintomas muitas vezes passam despercebidos pela equipe médica e pelos familiares. Isto acontece por duas razões: todos estão com o foco no tratamento do câncer (quimioterapia ou radioterapia) ou são considerados sintomas normais pela fase difícil que o paciente está passando. Entretanto, estudos demonstram que a prevalência de depressão varia de 42% a 87% dos pacientes em tratamento em hospital dia.
É tão preocupante a incidência da depressão nesses pacientes, pois agravam o prejuízo da qualidade de vida já reduzida pela patologia, que o National Comprehensive Cancer Network desenvolveu, como parte de todas as consultas oncológicas, uma entrevista padrão para auxiliar a equipe na avaliação do sofrimento psíquico. Conforme o relato deles foi tão importante e tão agregador na avaliação clínica que eles colocaram as sugestões online e com acesso gratuito a todos em seu site.
É direito do paciente que seu estado mental seja avaliado por profissional da Saúde Mental, para que haja reconhecimento, orientação e tratamento ao lidar com esse momento difícil, tratamento com efeitos colaterais e o ajustamento da doença ao momento de vida.

domingo, 27 de novembro de 2011

Depressão e Hepatite C

Cerca de 170 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da Hepatite C no mundo.
Sabemos que as medicações usadas para tratar a hepatite C no momento são o interferon e a ribavarina, dependendo do genótipo . Os efeitos colaterais mais comuns desses psicofármacos  são neuropsiquiátricos: depressão, alucinação,ideação suicida,  prejuízo cognitivo, ansiedade e alteração do sono.
Quando consideramos diversos estudos, que publicaram que cerca de 85% dos pacientes, ao receberem o diagnóstico de hepatite C, tem comorbidade psiquiátrica , é preciso muita cautela ao indicar o tratamento clínico cujo  efeito colateral é desencadear ou exacerbar sintomas psíquicos. Portanto, é recomendada uma avaliação neuropsiquiátrica nos pacientes com hepatite C, para prevenir manifestações psíquicas.
Em muitos casos se recomenda o uso de antidepressivo para reduzir o risco de depressão e ideação suicida.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Como Definir Limites Para Adolescentes

Cada vez mais sou acionada no consultório para avaliar adolescentes que não conseguem seguir limites e regras. A adolescência sempre foi uma fase difícil, compreendida entre a Infância e a vida adulta. É uma fase difícil de definir por se tratar de uma etapa onde os jovens não são mais crianças, aprendem muitas coisas da vida adulta e ainda são dependentes economicamente de seus pais. Não é a toa que essa etapa é conhecida como “aborrecência”, porque sempre foi conhecida pelo destaque da desobediência aos limites.É importante os pais saberem que tendo “aborrecentes” em casa é normal os filhos quererem infringir regras. Nessa fase é fundamental os pais manterem regras claras, e mostrarem as consequências de não segui-las. E no caso de aceitação e compreensão, esses jovens devem ser elogiados.

Os pais devem compreender as características normais dessa idade. São mais questionadores, mas sem faltar o respeito. Tem momentos de irritabilidade e de depressão, em que querem ficar mais isolados no seu quarto (desde que não seja todo o tempo). Chegam da rua, às vezes transtornados, porque se frustraram no colégio. Muitas vezes, não conseguem “chegar na menina” que gostariam, ou não são populares como gostariam. Nessa hora, não adianta discutir. Depois, no momento oportuno, tem que retomar uma conversa para saber qual a dificuldade enfrentada naquele dia, para poder orientar.Não perca oportunidades quando quiserem falar sobre as suas dificuldades. Escutem e não interrompam com lições de moral. Ouça, ouça e ouça. Depois faça as considerações necessárias. Não tenham medo de parecer “caretas”. Converse e deixe as regras claras. Seja objetivo e claro no que acha correto e ético.

Converse sobre sexualidade em casa, deixando claro que há diferença entre liberdade sexual e libertinagem. Converse sobre o que acha certo. Fale também o que é errado, dando exemplo de consequências. Apesar do adolescente parecer não ouvir e fingir que já sabe tudo, sempre converse esse tema para inserir os conceitos que você acha correto para a sua família. Fale também sobre o uso de álcool e drogas, sempre associando que não é um “mico” dizer não a essas ofertas. É importante saber beber, aí sim seria “mico”.

Seja coerente com as normas da casa e a idade. O adolescente de 13 anos não pode chegar em casa no mesmo horário do irmão de 19 anos. As regras tem que mudar com a conquista da responsabilidade e da idade cronológica. Não se pode começar liberando tudo para um adolescente que começou agora a sair de casa sozinho ou no início de um namoro. Tem que haver coerência nessas regras e acordos. Estimule positivamente cada conquista ou responsabilidade das suas vitórias escolares, esportivas ou sociais. Elogie cada sinal de responsabilidade que teve também fora da escola, como iniciativa em arrumar as suas coisas ou ajudar o irmão e pais nas tarefas domésticas. São essas atitudes que reforçam uma boa autoestima, que muitas vezes na adolescência está baixa, por não se achar tão atraente como gostaria de ser.

Nunca deixem que saiam de casa sem saber aonde vão e com quem estão. Mesmo que reclamem que os pais pegam no seu pé. Eles precisam saber que amor é querer cuidar do outro. Os pais também devem comentar em casa aonde vão e que horas aproximadamente retornarão.Lembre-se que ser autoritário não é ser agressivo. Converse e mostre que com a perda de confiança perdem-se alguns direitos conquistados pela idade. Reforce que é preciso ter mais maturidade para reconquistar o tal direito perdido.Sempre os pais devem estar seguros ao conversar ou colocar limites ao seu adolescente. Para isso, os pais devem ser responsáveis e éticos para servirem de exemplo aos adolescentes. Apesar dos adolescentes falarem que querem ser bem diferentes dos seus pais, eles se espelham nas atitudes dos pais.

Os pais não podem cobrar postura ética quando não demonstram essa mesma postura. Os filhos escutarem pais que contam vantagem por ganharem uma promoção no trabalho, porque conseguiram burlar um concorrente, ou que adoraram uma determinada saída porque beberam muito, ou ainda que conseguiram sair do estacionamento sem pagar, não servem como bons exemplos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Como Definir Limites em Nossas Crianças no Mundo de Hoje

É muito comum pais chegarem com esse questionamento ao consultório, e sempre dizem que quando criança as coisas eram mais fáceis. Citam exemplos, de que se o pai desse somente uma olhada parava imediatamente de fazer a tal travessura, ou se a mãe chamasse pelo nome (e não pelo apelido) imediatamente paravam. Nessa época não perguntavam o porquê , apenas obedeciam. Mas esses mesmos pais se defendem, alegando que agora as coisas são muito mais difíceis, que as crianças parecem nascer “com um chip” para desafios e questionamentos.

Essa dificuldade em colocar limites se entende ao ambiente escolar porque ouvimos as mesmas queixas dos professores.Esses pais não perceberam que não colocar limites não significa que você não está protegendo a criança para o mundo, pelo contrário. É importante proibir quando se infringe as regras. Para isso, é importante que as regras de casa ou da escola estejam claras para os adultos e para as crianças envolvidas nesse contexto. Quando não se obedece ou se burla uma regra, é importantíssimo que haja repreensão e que seja realçada a proibição de manter tal postura.Quando repreendemos estamos protegendo as nossas crianças. Com o lidar com o “não”, essa criança está amadurecendo e percebendo que existem outros além dela e se torna responsável pelos seus atos. A criança que não passa por essa situação de receber um “não” pode buscar esse limite na vida. Ou seja, ela precisa e busca esse “não”, e vai buscar em situações de risco, caso não receba em casa ou na escola.É importante que os pais tenham noção dessa situação.

Atendo muitos pais que por medo de não receber o amor ou não ter a amizade dos seus pimpolhos não dizem “não”, não colocam de castigo, não repreendem. Os pais precisam saber que essa criança, na medida em que vai se tornando um cidadão, ou seja, faz parte de uma sociedade, vai absorver as leis dessa mini sociedade que convive (família e escola), para poder se tornar um adulto preparado para o mundo. Não adianta pais colocarem seus filhos nos melhores colégios, ensinar diversos idiomas, se essas crianças não estiverem preparados para receber e dar “não” para as ofertas da vida adulta. Não vão ter o jogo de cintura necessário para se tornar um adulto responsável e bem sucedido na vida.Quando colocamos limites para nossas crianças ensinamos a elas que direitos e deveres são para todos, que elas não são únicas no mundo, que os pais e a vida vão dizer “sim” sempre que possível e não quando querem. Mostramos que a vida é dessa forma, que existem coisas que podem ser feitas e outras que não devem ser seguidas, ensinamos a tolerar as frustrações (que na vida serão muitas), saber que as pessoas não estão ali para satisfazer suas vontades. Eles devem aprender a distinguir o que é uma necessidade ou apenas um desejo e, principalmente, saberem que os pais estão ali para amar e proteger, e não são meros “empregados” para satisfazer suas vontades. 

Uma das causas das dificuldades dos pais de colocar limites está relacionada à idealização de que fazem desse projeto o bebê perfeito. Antes dessa criança nascer, seus pais já planejaram tudo da vida da criança. Já sabem que atividades extras acham interessante para criança (dança, tênis etc.), estilo de se vestir, idiomas, intercâmbios e até o colégio. Os pais não se preparam para as intercorrências que vão surgindo, como doenças, medos, birras, gostos, falta de jeito (não ter jeito para atividade esportiva, por exemplo) e personalidade da criança.É necessário que os pais e as crianças saibam e aprendam a lidar com o “não”. Os pais devem viver um luto dessas suas fantasias que o seu bebê não é a sua continuidade, ele tem gostos e personalidades. E as crianças precisam receber esse “não” e aprenderem a lidar com essa frustração com o carinho e apoio dos pais.Quando pequenos, os primeiros “não” que recebem é de proteção física. Não podem colocar objetos na boca ou não podem engatinhar, ou descer do berço. As crianças vão reagir com choro ou, quando um pouco maior, vão lidar com uma hiperatividade. Surge a oposição ou o desafio já em bebês, quando, por exemplo, não deixamos colocar o celular novo do pai na boca. Nesse momento é importante os pais dizerem “não” e não cederem à oposição do seu bebê.

A dificuldade em colocar limites que os pais sentem nesse momento está muito relacionada à culpa de estar pouco tempo com os seus filhos. Acabam sendo permissivos, na tentativa de aliviar a sua culpa. Não entendem que o afeto que demonstra ao seu filho não está relacionado à quantidade de horas que se dedica ao filho, e sim a qualidade da atenção que se dedica ao filho.Essa dificuldade em colocar limites nos seus pequenos reforça uma relação equivocada de pais e filhos. Inicia uma relação baseada no querer da criança, onde os pais precisam satisfazer essa vontade. Eles não aprendem que devem amar os seus pais, mas que os pais estão ali para servir as suas vontades. Nesse momento, o bebê deveria aprender que os pais estão ali para ensinar a crescer, e para isso, vão ter que aprender a enfrentar frustrações na vida. O ideal para aprender a lidar com frustração é nesse momento em que recebem o colinho, o “porto seguro” dos seus pais.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Síndrome das Pernas Inquietas

 A Síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio sensório motor que se manifesta por uma sensação desconfortável nos membros inferiores , como se recebendo agulhadas,  com dormência , prurido intenso, além de poder  vir acompanhado de repuxões. Esses sintomas são aliviados com movimentos das pernas.

Esse quadro pode acontecer em qualquer horário quando as pernas estão em repouso, mas é mais freqüente à noite. É bastante prejudicial na qualidade de vida do indivíduo porque leva a insônia e as suas conseqüências, sonolência diurna, ansiedade e falhas de memória. Em casos mais graves surgem diversos episódios durante dia e noite, levando o indivíduo a ter dificuldade em ficar com as pernas em repouso, por exemplo, durante a leitura ou uma viagem mais longa.

Apesar de ser uma síndrome descrita há muito tempo (relatos desde 1861) e que afeta 5% da população ainda não se descobriu a causa. Sabe-se que um terço dos pacientes tem familiares com o mesmo distúrbio,  que é mais comum em mulheres e na velhice. Também existem especulações sobre relação com a dopamina e deficiência de ferro como fatores contribuintes. É também comum aparecer em gestantes, geralmente no último trimestre, e que melhoram após o primeiro mês do parto.O exame neurológico e de eletromiografia são normais. O tratamento é com uso de medicamentos. Existem quatro classes de medicamentos que aliviam a síndrome das pernas inquietas (agentes dopaminérgicos, opióides, benzodiazepínicos e anticonvulsivantes). Estes devem ser prescritos pelo médico, considerando a história clínica e sintomas ou doenças concomitantes.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Meu filho não quer dormir na sua cama

É comum a criança entre 2 e 5 anos querer dormir na cama dos pais. Mas é fundamental que ela durma na sua própria cama e no seu quarto, podendo até dividir esse espaço com os irmãos,  desde cedo.
É importante que a criança durma numa rotina de horário (mais cedo que os adultos) e seja no cômodo em que ficam suas coisas, roupas, brinquedos e livros. É o espaço onde ela pode ser criança. Claro, os pais devem ajudar nessa tarefa, a casa tem que estar mais tranqüila, um dos pais devem conduzir a criança para a sua cama e momentos antes de dormir sempre buscar atividades calmas para não agitar a criança.
Quando dorme com os pais na mesma cama ou no quarto dos pais ela passa a querer dormir no mesmo horário dos adultos, confunde o seu papel de criança com os pais, passando inclusive a querer se impor e não respeitas os pais como figura de segurança e hierarquia na estrutura familiar.
Além disso, a criança que dorme com os pais ela passa a acreditar que ela não é capaz de dormir sozinha. Quando cresce essa criança passa a achar que não consegue fazer ou resolver outros problemas do cotidiano sozinho. Passam a ser indivíduos  inseguros e com dificuldade de enfrentar os seus medos, tendem a desenvolver uma perversidade como fonte de disfarce das suas inseguranças.
Muitas das vezes os pais permitem que a criança durma em seu quarto por cansaço, medo de dizer não, por achar gostoso ou se sentir culpado, ou até para encobrir problemas no relacionamento conjugal. Não podem nem ceder às manhas, pois as crianças tentam chantagens para conseguir o que querem. Outro grande problema é quando os pais não sabem se posicionar diante da criança, deixando as regras claras e seguindo uma rotina. Um dia pode, no outro não. Isso gera muita ansiedade e insegurança para a criança.
Nessa fase é também comum as crianças buscarem a cama dos pais porque tiveram pesadelos, ou simplesmente acordaram à noite e se viram sozinhas. Nesse caso, é importante que os pais a tranqüilizem e conduzam a criança de volta para a sua cama, para dormir sozinhas, mesmo que isso aconteça muitas vezes na mesma noite. Cedendo uma noite,  aumentará as dificuldades da criança para dormir sozinha nas próximas.
A criança poder dormir sozinha significa que está ficando autônoma e segura para resolver assuntos longe dos pais. Quanto mais tempo a criança dormir com os pais mais problemas emocionais vão surgir para essa criança e mais dificuldade os pais vão ter para deixá-las dormirem em seu quarto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um sentimento de uma apreensão constante, uma preocupação exagerada e de difícil controle, que causa prejuízo na vida do indivíduo.
O TAG tem manifestações físicas e emocionais. Os sintomas físicos mais comuns são tensão muscular, dores de cabeça, sudorese, náusea, diarréia, dores generalizadas pelo corpo, boca seca, palpitações, sensação de fôlego curto, sensação de desmaio, vontade de urinar a todo instante, mãos e/ou pés frios, sensação de vazio no estômago. Os sintomas emocionais mais freqüentes são irritabilidade, insegurança, esquecimento, insônia, dificuldade em se concentrar, medos e preocupação exagerada.

As causas do TAG são multifatoriais, ou seja, tem diversos fatores. Há uma predisposição genética, causas ambientais e história de vida. Tem algumas substâncias que contribuem para o surgimento do TAG, tais como nicotina, energéticos e cafeína.

O diagnóstico é feito pelo médico e deve-se descartar outras causas orgânicas que levam a sintomas semelhantes, tais como uso abusivo de substâncias, alteração tireoidiana e diabetes. Devemos também avaliar se não há outra doença neuropsiquiátrica associada. Sabemos por exemplo que 60% dos casos de TAG estão associados a depressão.

É necessário buscar a avaliação médica o mais breve possível para se iniciar o tratamento em farmacológica associado à psicoterapia. Quanto mais cedo iniciar o tratamento menor o prejuízo na qualidade de vida do indivíduo acometido.

domingo, 2 de outubro de 2011

Doença de Alzheimer

Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando muito na população do mundo, sendo a doença de Alzheimer (DA) responsável por 60% dos casos. A DA é uma doença neurodegenerativa e progressiva, e se apresenta clinicamente por perda de memória  e prejuízo funcional, com comprometimento de suas atividades da vida diária.
Está cada vez mais preocupante o impacto dessa doença no mundo. Nos EUA está sendo a quinta causa de morte nas pacientes acima de 65 anos. No Brasil o número de óbitos por DA nos últimos 10 anos  subiu 100% nos idosos.
O custo com os cuidados com pacientes com doença de Alzheimer é muito alto, trazendo muito impacto na economia dos familiares e do governo. Desses pacientes com DA cerca de 20% chegam ao estágio grave manifestando-se por dificuldade na deambulação, controle dos esfíncteres, dificuldade na comunicação e na capacidade de deglutição. Nesse estágio é necessário cuidados de enfermagem e cuidados de uma equipe multidisciplinar (neuropsiquiatra, clínico geral ou geriatra, nutricionista, fonoaudiologia e fisioterapeuta).
A maioria dos protocolos de tratamento medicamentoso enfoca os estágios leves e moderados. Mas dificilmente a família busca avaliação médica na fase inicial, o que retarda muito o diagnóstico e tratamento precoce. O médico deve acompanhar o paciente através de exames complementares, escala de Mini Exame do Estado Mental e avaliação do exame físico/mental do doente. Com esses valores deve buscar o melhor tratamento medicamentoso.
 Alguns medicamentos são específicos para o tratamento da DA e tentam retardar a evolução da doença, além de melhorar o comportamento, o funcionamento global e cognitivo. Outros medicamentos são associados, especialmente no estágio avançado para combater as manifestações neuropsiquiátricas (alteração do sono, agitação psicomotora, delírios, alucinações).

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Como saber o que é um esquecimento normal do envelhecimento ou uma Doença de Alzheimer?


São muito comuns idosos que chegam ao consultório com queixa de redução da memória. Depois de muitas reclamações desse tipo, pedimos para exemplificar em que momento surge o problema e qual o prejuízo notório no seu dia a dia. Nesse instante verificamos que, apesar da reclamação de esquecimento estar presente, não existe prejuízo ou implicação clínica na vida do paciente.

Às vezes, os idosos lembram fatos do passado com muita clareza, mas não se recordam do que fizeram na semana passada. É preciso uma anamnese (história clínica completa), realização de alguns testes e se necessário exames complementares para se fazer o diagnóstico correto.
Esse esquecimento pode ser decorrente de desinteresse, depressão e efeitos colaterais de alguns fármacos (por exemplo, benzodiazepínicos).

Na dúvida, diante de um paciente idoso com queixa de esquecimento, deve-se procurar o médico para fazer uma avaliação. Assim se evita passar desapercebido um diagnóstico precoce de doença de Alzheimer.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Narcolepsia

A narcolepsia é caracterizada por episódios de sono irresistíveis durante o dia. Na prática, o paciente chega ao consultório com prejuízo social e profissional por cair em sono profundo em momentos inapropriados, como numa reunião, numa conversa ou na direção.
Geralmente começa na adolescência e perdura por toda a vida. Por se iniciar cedo, o indivíduo e familiares envolvidos acreditam ser uma preguiça crônica.
O diagnóstico é feito através da anamnese e polissonografia do sono. É causada por uma deficiência de um neurotransmissor chamado orexina (ou hipocretina).
Pode ser agravada em situações de estresse, redução do número de horas de sono à noite, alterações hormonais, infecções e doenças auto-imunes.
O seu tratamento é feito com medicamentos psicoestimulantes e mudança do estilo de vida.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Transtorno Afetivo Bipolar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Transtorno Bipolar foi a sexta causa de incapacidade no mundo na última década. A taxa de mortalidade é alta, por acidentes automobilísticos, suicídio, abuso de álcool e drogas, nessas pessoas.
É um distúrbio crônico caracterizado por alteração de humor, que se manifesta em graus diferentes de intensidade, de episódios que variam de bem estar/euforia, irritabilidade e até a depressão. Esse distúrbio tem causa genética, que é influenciada pelo meio.
É difícil de fazer o diagnóstico. O paciente não procura a ajuda médica. Acha que a sua oscilação de humor é justificada por “personalidade difícil ou forte”, “temperamento” ou pela “vida difícil”. É reforçado pelo fato de muitas vezes ter convivido com pelo menos uma pessoa que também sofria do mesmo mal, com menor ou maior intensidade, passando assim a achar natural. Ou ainda quando viu uma pessoa da família ter um caso muito intenso, e ver o quadro grave como doença, mas um sintoma mais leve não seria um distúrbio.
Muitas das vezes, procuram o médico apenas com o quadro depressivo. Nesse momento se o médico não investigar a oscilação do humor ou a história de vida conturbada, o profissional não faz o diagnóstico de bipolar. Nessa situação trata apenas como um deprimido e pode por falta de conhecimento agravar o Transtorno Bipolar.
Às vezes, procuram o psiquiatra por outras comorbidades, tais como obesidade, transtorno de pânico, uso de álcool e drogas. E que o sucesso no tratamento só acontecerá se tratar o Transtorno Bipolar concomitante.
Os sinais e sintomas do Transtorno bipolar variam de intensidade num mesmo paciente em diferentes períodos de sua vida. O Tratamento adequado faz com que o paciente leve uma vida normal com estabilidade e qualidade de vida.
É fundamental o tratamento medicamentoso para tratar a fase aguda (crise) e prevenir recaídas. O tratamento psicológico é importante para dar suporte emocional, compreensão da doença e auxílio na adesão ao tratamento medicamentoso. É também necessário orientar a família quanto à necessidade de apoio ao tratamento,  e que se trata de uma doença crônica.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dejà Vu

Essa sensação seria a impressão de já ter visto ou experimentado algo antes, mas se tem a certeza que é a primeira vez que se vive aquela situação. Por exemplo, você está visitando pela primeira vez uma cidadezinha e para numa esquina para pedir informação a um guarda. Nesse momento você tem a impressão que já viveu essa experiência, na mesma cidade, mesma esquina e com mesmo guarda para pedir informação. Mas você tem a certeza que isto é uma ilusão, porque nunca esteve naquele local antes.
O dejà vu acontece em todas as faixas etárias, mas especialmente quando as pessoas estão cansadas ou muito focadas num estresse. A pessoa identifica como não real, sabe que não é uma alucinação. Se acontece com muita freqüência deve-se procurar um médico para fazer o diagnóstico diferencial com uma epilepsia temporal .
Antigamente se dava explicações psicanalíticas, ou espirituais (lembranças de outras vidas) mas se sabe que é decorrente de um fenômeno neurofisiológico complexo, que não acarreta nenhum prejuízo a pessoa.

domingo, 26 de junho de 2011

Boa Memória se consegue com uma boa noite de sono

Enquanto dormimos nosso cérebro está ocupado processando todas as informações colhidas durante o dia. Igualmente quando somos estudantes e passamos a matéria a limpo, enfatizamos o que é importante e cortamos o que não é relevante. É dormindo que fazemos a associação com o que já vivenciamos no passado e fixamos o aprendizado.
Antigamente pensava-se que o cérebro se desligava durante o sono, mas sabemos que na verdade é nesse momento que investimos na memória e no aprendizado. É óbvio que não dormir bem ou pouco é prejudicial ao processo mnêmico.  Isso é muito preocupante, já que  na sociedade atual cada vez se dorme menos. As pessoas têm considerado perda de tempo e preferem economizar horas dormidas para dar conta da distância trabalho/escola, das jornadas extensas de trabalho, dos emails, Facebook, filmes, telefonemas etc.
Os indivíduos não sabem que podem estar atrapalhando a sua capacidade cognitiva, o mais importante hoje em dia para dar conta de tantas informações que recebemos todo o dia.
Na clínica, muitos pacientes chegam apenas com queixa de memória. Muitas vezes a única prescrição recomendada é de dormir melhor. Isso vem acontecendo com pacientes de todas as faixas etárias e vem aumentando muito como sintoma nos adolescentes. Se você ainda acha que dormir é uma perda de tempo reflita e me diga se já aconteceu de você adormecer achando que um problema não tem solução, e ao acordar verificar que o imenso problema não é tão complicado assim. Como uma boa noite de sono faz a diferença...

domingo, 12 de junho de 2011

Tricotilomania

É o impulso de arrancar os cabelos sem finalidade estética. Também pode se caracterizar com o ato de arrancar também os pêlos e cílios. Às vezes se manifesta com um interesse grande em acompanhar os fios do cabelo ou ficar enrolando esses fios entre os dedos. Sempre está acompanhado de uma intensa ansiedade ou vontade de difícil controle, seguida de intenso prazer e alívio ao fazer.
Alguns casos, em crianças, são acompanhados de tricotilofagia (hábito de engolir os cabelos arrancados). Nesse caso, as crianças perdem o apetite e sofrem de náusea e vômito.
Esse ritual acontece quando normalmente estão em sala de aula, assistindo TV ou falando ao telefone. Ocorre na Infância e vida adulta.
Muitas vezes acabam procurando o tratamento psicológico ou psiquiátrico após consulta com dermatologista, que detecta as falhas no couro cabeludo ou calvície.
As causas são multifatoriais. Sabe-se que tem influência genética (freqüência maior de 5% a 8% acima da média se outro familiar tem história de tricotilomania). Problemas emocionais contribuem para o desenvolvimento dessa patologia: medos, insegurança, estresse, ansiedade e depressão. Estudos neurobiológicos já comprovaram a deficiência de serotonina  nesses pacientes.
O tratamento consiste em psicoterapia e alguns casos, antidepressivos (do tipo inibidor da recaptação de serotonina).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vício no Uso da Internet pelos Adolescentes

Um em cada 25 adolescentes nos Estados Unidos têm uma “fissura” (necessidade irresistível ) de estar conectado a Internet. Quando não estão “plugados” queixam-se de sintomas de ansiedade, sensação de vazio, preocupação de que algo muito importante está acontecendo e que está perdendo, que não terá mais amigos, ou não se sente interessante.
Isso é um grande alerta para os pais e educadores, pois, para que esses adolescentes chegarem a serem dependentes de Internet é porque autorizamos um acesso fácil e ilimitado desses jovens a Internet.
Nos casos mais graves, ou seja, quando essa compulsão afeta a vida pessoal e profissional do indivíduo, um psiquiatra deve ser procurado, para que seja adotada uma estratégia de tratamento com uso de medicamentos associados à terapia.  

terça-feira, 24 de maio de 2011

Vicío em Jogos On Line

A revista científica médica “The Lancet” afirma que o vício em jogos online vem crescendo muito em todo o mundo. Isto se deve à disponibilidade de acesso (24 horas ao dia) que existe atualmente e a facilidade de não ser necessário sair de casa para jogar.
Calcula-se que hoje,  em Hong-Kong, um em cada vinte habitantes sofrem desse mal. Lá inclusive foram criados diversos  centros de reabilitação de jogadores compulsivos online. É comum se usar como referência a experiência dos habitantes da região, já que recentemente têm surgido muitas publicações de incidência e tratamento por esses profissionais.
Isso se torna muito mais preocupante, quando conhecemos o funcionamento do cérebro e sabemos que dificilmente haverá apenas essa doença mental. O jogador patológico tem freqüentemente depressão, ansiedade e muito mais chance de dependência de álcool e drogas.
O tratamento consiste em tratamento psicoterápico cognitivo comportamental e psiquiátrico com uso de drogas psicoativas (especialmente antidepressivos).

domingo, 22 de maio de 2011

Suicídio na Infância e Adolescência

Nos últimos dez anos tem aumentado a freqüência de suicídio na adolescência em todo o mundo. Trata-se da terceira causa de morte mais comum nessa faixa etária. Estudos demonstram que 98% têm uma doença mental na época do evento. O que preocupa bastante é que vários outros artigos publicados referem que 70% das crianças e adolescentes possuem doença mental não diagnosticada ou não tratada adequadamente.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que a cada vinte segundos uma pessoa morre por suicídio. Devemos imaginar que existe uma freqüência muito maior de tentativas de suicídio e que familiares e amigos tendem a esconder, por vergonha ou culpa. No Brasil não sabemos o certo de prevalência do suicídio porque a maioria não preenche a causa determinada de morte.
Sabe-se que a freqüência dos adolescentes do sexo masculino  é quatro vezes maior do que nas meninas. Mas também se sabe que elas tentam suicídio em maior freqüência , mas com formas mais leves e sem sucesso que os do sexo masculino. Talvez a causa dessa diferença seja a patologia envolvida. As meninas geralmente sofrem de depressão, tentam suicídio com ingesta de medicamentos, dando tempo da família buscar auxílio. Já os meninos têm com freqüência dependência de uso de drogas, alteração de conduta, associado a alteração do humor. Nesse caso procuram formas mais violentas como armas de fogo, enforcamento e se jogam de uma grande altura.
O período mais comum de ocorrência de suicídio é no final da adolescência e início da vida adulta. Nos adolescentes a taxa de suicídio vem aumentando muito, mundialmente.  No Brasil essa taxa aumentou 20 vezes nos últimos 10 anos. Sabe-se que a maior parte dos atendimentos de emergência psiquiátrica em centros especializados em crianças e adolescentes é a ideação com tentativa de suicídio.
Todos devemos estar atentos às mudanças de comportamento das crianças e adolescentes, buscando uma avaliação médica e diminuindo essa triste estatística fornecida pela OMS.

Descoberto O Cromossomo Associado a Depressão

Vale a pena ler: depressão é doença com causa genética identificada e está sendo considerada a patologia mais comum até 2020.


http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/05/16/cientistas-descobrem-ligacao-entre-depressao-cromossomo-especifico-924471582.asp

terça-feira, 17 de maio de 2011

Discalculia

É um dos transtornos de aprendizagem que causa dificuldade na capacidade de compreender e manipular números. Essa dificuldade em Matemática não é uma preguiça da criança e também não é decorrente de dificuldade auditiva, visual ou de leitura. Pode se manifestar  como dificuldade com números, contas, em diferenciar direito e esquerdo, em distinguir o número maior e menor, em julgar a passagem do tempo, em ver horas em relógio analógico, em compreender um planejamento financeiro (mesmo de um orçamento doméstico) , de estimar medidas de um objeto ou distância e de manter uma contagem durante um jogo que esteja acompanhando. Esses sinais que podem ser identificados desde a idade pré escolar , quando a criança não consegue distinguir, por exemplo, que o número 10 é maior que o número 9 . Adultos também podem apresentar esses sinais.
Essas dificuldades , se não tratadas, tendem a causar uma baixa auto estima, ansiedade, dificuldade nas habilidades sociais, irritabilidade e uma fobia de matemática. Se sabe que é parcialmente hereditária, pois é comum um dos pais também apresentar sinais, só que em grau mais leve. Sabemos que 60% dos disléxicos podem ter associado a discalculia.
O tratamento consiste em terapia psicopedagógica  com exercícios neuromotores e neuropsicológicos, associados a jogos ou brincadeiras com matemática, que estimulam a área cerebral acometida. É importante o suporte psicoterápico ou às vezes a inclusão de medicação, para aliviar o quadro de ansiedade que acompanha esse quadro, junto ao apoio aos pais e professores.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dislexia

A dislexia é caracterizada pela dificuldade de aprendizado na decodificação dos símbolos escritos e reconhecimento das palavras. Há um prejuízo na associação do som à letra. Também é comum trocar letras (por exemplo, b por p) ou escrever de forma invertida (espelhada), além de confundir direita com esquerda.
Ocorre em 10% da população.  É muito confundida com TDAH, preguiça de ler e doenças neuropsiquiátricas.  São crianças geralmente diagnosticadas na fase da  alfabetização, até a segunda série, quando se consolida a leitura. O diagnóstico é feito excluindo todas as outras dificuldades de aprendizagem, problemas emocionais e doenças neuropsiquiátricas.
Muitos dos casos, por não conseguirem ler, ficam muito desmotivados, e passam a  apresentar alteração comportamental. Outros tentam compensar e usam mais ainda a área da criatividade.
Essa criança deve estudar em escolas normais. Devem ser estimuladas pelos pais e professores a lerem em voz alta. É trabalhoso, mas o processo de alfabetização ocorre. É necessário acompanhamento fonoaudiológico, psicopedagógico e muitas das vezes neuropsiquiátrico (ansiedade e irritabilidade são freqüentes).
Muitos pais chegam muito preocupados se há acometimento da inteligência. Isso não é verdade. Para tranqüilizar os pais, ilustro alguns famosos que sofriam de dislexia e nem por isso deixaram de ser marcantes em nossa história, como Albert Eisten, Agatha Christie, Charles Darwin, Thomas Edison e Walt Disney.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Tensão Pré-Menstrual

É comum as mulheres sentirem alterações físicas e psíquicas de intensidade leve no período pré-menstrual. Porém, existe um grupo onde esses sintomas são intensos e atrapalham suas atividades no trabalho e relacionamentos. Quando causa esse prejuízo nós consideramos que essas mulheres têm uma patologia chamada Síndrome de tensão pré-menstrual .
A tensão pré-menstrual é codificada na Classificação Internacional de Doenças (CID X) como N 94.3. Muitas pessoas, geralmente homens referem que isso é uma desculpa da mulher moderna. Na verdade é uma doença que foi descrita pela primeira vez como “tensão pré-menstrual” em 1931. Ou seja, não é uma doença dos tempos modernos .
Sua causa ainda é obscura.  Sabe-se que tem um componente de predisposição genética, alteração de neurotransmissores (especialmente serotonina), variação hormonal e alteração do SNC (eixo  hipotálamo – hipófise).
È importante  fazer o diagnóstico caracterizando os sintomas em grupos:
- Psíquicos: choro fácil, irritabilidade, redução da concentração, ansiedade, depressão, insônia ou hipersonia, choro fácil, sentimento de desesperança e dificuldade de memória.
- Comportamentais: redução da iniciativa, aumento do apetite, vontade de se isolar.
-Somáticos: dores musculares, edema, tonteira, cansaço e cefaléia .
Claro, que esses sintomas devem surgir e permanecer no período pré-menstrual. Se persistir durante todo o mês descartamos esse diagnóstico e investigamos outras patologias físicas ou psíquicas.
O tratamento consiste em drogas psicoativas (antidepressivos geralmente), controle do ciclo menstrual,complementos alimentares (vitamina e minerais), prática de exercícios e mudança de hábitos alimentares (redução cafeína,álcool,  ingesta de sal e açúcar).

domingo, 1 de maio de 2011

Bruxismo

Bruxismo é o hábito de ranger os dentes. Acomete entre 5% e 20% das pessoas em alguma fase da vida. Geralmente acontece no estágio 2 do sono não REM. Os sintomas que aparecem são dor na articulação têmporo-mandibular, cefaléia, dores de dente ou ouvido, desgaste dos esmaltes ou fratura do dente e musculatura dolorida no rosto.
Depois de descartar causas odontológicas, percebemos que está sempre associado a sintomas de ansiedade, depressão, estresse e transtornos do sono. Vários antidepressivos (muitas das vezes usados para tratar o bruxismo) podem causar bruxismo (vide J. Bras. Psiq – 46(5): 285-8, mai 1997).   
Se você está identificando a possibilidade de bruxismo procure realizar um check-up com o seu dentista e procure o seu médico psiquiatra para tratar as causas emocionais relacionadas.

domingo, 24 de abril de 2011

Depressão na Infância e Adolescência

Esse é um tema muito importante porque a incidência de depressão nessa faixa etária vem aumentando cerca de 95% nos últimos dez anos, conforme o Congresso da Academia Americana de Psiquiatria. Referem que uma entre trinta e três crianças americanas sofrem de depressão e um entre oito adolescentes também.
Esse aumento está acontecendo devido aos diversos fatores estressores que aumentaram nessa faixa etária associado à predisposição genética. Crianças deprimidas na Idade Pré-Escolar podem manifestar com fisionomia triste, mudança de humor para irritabilidade com pequenos estímulos, dificuldade em ganhar peso, agitação, irritabilidade e agressividade. Observa-se também desinteresse em atividades ou brincadeiras novas, cansaço maior e queixa de tédio. Quando angustiadas não sabem se expressar e geralmente relacionam a dores musculares, abdominais ou de cabeça.
Crianças com depressão na Idade Escolar se manifestam com baixa auto-estima (“Eu não sou bom em nada”), redução ou aumento do apetite, pesadelos freqüentes, insônia, irritabilidade, inquietude, sensação de desamparo e tristeza. Tem prejuízo no desenvolvimento escolar, social e familiar.
Muitos pais e professores confundem depressão com uma turbulência natural da adolescência. Isto porque a depressão nos adolescentes pode aparecer com uma alteração rápida: de queixa de tristeza para irritabilidade, associado a desesperança, insônia ou sonolência diurna excessiva, desinteresse em atividades próprias da idade, hostilidade, dificuldade na concentração e na memória. A angústia e o pensamento de morte são bastante comuns; na tentativa de reduzir essa sensação é comum se envolver com a ingesta abusiva de álcool ou outras drogas.
O médico deve ficar atento e orientar a família, já que geralmente a primeira manifestação de Transtorno Afetivo Bipolar na infância e adolescência é um quadro depressivo. A família deve procurar auxílio médico e psicoterápico para avaliar o paciente e orientar familiares e escola.

sábado, 23 de abril de 2011

Transtornos de Tiques/ Síndrome de Tourette

Os tiques são movimentos repetitivos ou fragmentos de movimentos repetitivos, que estão fora do contexto. Causam sofrimento e prejuízo significativo no funcionamento social. Os tiques são fáceis de serem reconhecidos: são observados por outros como algo estranho nessa criança ou adolescente. Geralmente são movimentos como piscar, pigarrear ou um levantar de ombros.
O Transtorno de Tique pode ser transitório ou crônico. O transitório pode ser motor, fônico ou ambos, e ocorre por menos de doze meses. O crônico ocorre com manifestação motora, fônica ou ambas, que acontece há mais de um ano.
A Síndrome de Tourrete (ST) é um transtorno de tique caracterizado por apresentar pelo menos um tique vocal e dois motores. Ocorre entre 1% e 3,8% da população e tem início antes dos 18 anos.
Os tiques em algumas situações podem ser controlados pelo indivíduo e depois são compensados, aparecendo em situações mais reservadas (de menor tensão e sem observadores). Por exemplo, durante uma apresentação na escola, o indivíduo consegue controlar o tique que possui, de mexer no nariz, mas em seguida, no saguão, faz umas trinta vezes seguidas.
Deve ser feito diagnóstico diferencial com diversas patologias como coréia, distonia, mioclonia e atetose. Os tiques podem persistir durante o sono. O seu curso pode ser flutuante , ora parece melhor e depois retorna pior. Podem também substituir um tique por outro.
Os tiques motores tendem a aparecer entre os 3 e 8 anos de idade, e os vocais tendem a aparecer aos 3 anos de idade. É necessário procurar o médico para fazer o diagnóstico diferencial e tratamento medicamentoso adequado. A psicoterapia é importante para lidar melhor com as situações estressoras, pois, freqüentemente essas crianças e adolescentes são “zoados” e tendem a se afastar da vida social.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Transtorno de Ansiedade Generalizada na Infância e Adolescência

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma reação ansiosa excessiva, dirigida a várias situações e estímulos na vida da criança e do adolescente. Deve ocorrer por pelo menos seis meses e causar um prejuízo na qualidade de vida.
A pessoa apresenta uma preocupação excessiva com o seu desempenho e uma necessidade extrema de corresponder ao esperado pelos adultos que se relacionam diretamente com ele (pais e professores, principalmente). Pode ser acompanhado de tensão muscular, dores de cabeça ou estômago, fadiga, alteração do sono e inquietude.
Normalmente se apresentam muito intranqüilos e precisam sempre do reconhecimento dos adultos quanto a sua performance. Os pais têm que se conscientizar que essas crianças ou adolescentes sofrem. Devem deixar de pensar como muitos pais, que ouço no consultório, que admiram os filhos como “super responsáveis” e  “mini-adultos”.
Pais e professores devem estar atentos: é essencial encaminhar para tratamento médico e psicoterápico. Caso não tratados, essa patologia tende a piorar na vida adulta.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Transtorno de Ansiedade de Separação Na Infância e Adolescência

O Transtorno de ansiedade de separação é uma reação exagerada e prolongada de ansiedade, diante da separação da criança de alguém muito valorizado por ela (geralmente, a mãe).
A criança fica bem, mas em situações que lembram a separação ela fica em pânico, ou se manifesta com sintomas físicos (dor de barriga, dor de cabeça etc.). Por exemplo, no domingo à noite, quando ela se lembra de que vai a aula ou creche, ou ainda na entrada da escola.
Esse medo pode aparecer também na hora de dormir, porque é um momento em que a criança deve se separar da pessoa ligada e dormir no seu quarto. Pode se manifestar também em não conseguir ficar sozinha num determinado cômodo da casa. Ou quando um pouco maior, fica na escola, mas precisa fazer contato constante com uma pessoa que é muito ligada. Ela fica telefonando toda hora para ter certeza que não foi abandonada ou que algo não aconteceu com essa pessoa.
São importantes os professores e os pais, tendo noção que se trata de uma patologia, e que deve se procurar um profissional especializado.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Alcoolismo? Ou apenas uso de álcool?

É fundamental darmos atenção a ingesta de álcool.  A OMS refere ser a terceira causa de óbito em todo o mundo. É assustador saber que entre 10% e 12% da população mundial tem história de uso abusivo de álcool.  
A sua maior incidência é em jovens entre 18 e 29 anos. É a droga psicoativa mais usada, e geralmente precede outras (não se encontra usuário de cocaína, maconha e crack, entre outras drogas,  em uma pessoa que nunca fez uso de álcool).
A ingesta de álcool é responsável por 60% dos acidentes automobilísticos e 70% dos laudos cadavéricos de morte violenta. No Brasil, é a causa mais freqüente de aposentadoria e acidentes no trabalho.
Como saber se você faz uso social de álcool ou tem problemas de saúde com o álcool?
Essa pergunta é fundamental ser respondida por cada um que costuma beber. Cada vez mais é difícil obter essa resposta sozinho, porque somos bombardeados por propagandas que estimulam o consumo. Se você bebe vinho ou whisky, você é considerado “fino”. Ou se você bebe cerveja, você é aceito no grupo, é o cara “gente boa”.
Vamos tentar elucidar essa questão: costumo receber pacientes que vão ao consultório sendo quase que obrigados pelo familiar, porque não se vêem tendo problemas com o álcool. Eles afirmam que não bebem de cair na sarjeta e que trabalham e ganham bem. Portanto, segundo esse conceito, não seriam doentes.
Vendo melhor a história de muitos alcoolistas, observamos muitos problemas emocionais e sociais acontecendo antes de chegar ao “alcoólatra” , ou seja , no final da linha.
Muitos só conseguem paquerar, se divertir ou até ter relações sexuais com um copo na mão. É aquele que não consegue sair e se divertir sem a bebida. Eles evitam programas como cinema devido a não ser acompanhado de bebida. Tentam fechar um negócio sempre num jantar, para relaxar com a bebida.
Esse é o início do spectrum de doença psiquiátrica relacionado ao álcool. Depois, segue evoluindo, ficando sempre “alto” nas festas, só consegue se divertir com o uso de álcool, se mete em muitas discussões e brigas , ingerindo bebida logo pela manhã e depois sempre prometendo beber menos, mas nunca conseguindo cumprir a promessa.
Portanto, alcoolismo é uma doença crônica , caracterizada por uso abusivo e excessivo de bebidas alcoólicas em longo prazo e que apresenta uma série de problemas psíquicos, sociais e físicos. O tratamento do alcoolismo deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar: psicólogo, psiquiatra, clínico , hepatologista, terapeuta familiar e grupo terapêutico (AA).
Dividimos o tratamento em fases: desintoxicação e reabilitação. Deve se iniciar o mais breve possível: quanto mais cedo, menor as complicações com o uso de álcool, tais como: baixa auto-estima, dificuldade em manter relacionamentos, perda do emprego, cirrose, cardiopatia, amnésia, neuropatia e demência.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre na Escola de Realengo

É claro que não preciso descrever o que nós lemos e ouvimos em todos os noticiários do dia. Já estamos bastante entristecidos e estarrecidos diante dessa tragédia. Mas me sinto na obrigação de tentar entender o que aconteceu através das informações dos jornais.
Tudo indica que se trata de um jovem que sofria de uma doença mental. Como muitos que têm esse distúrbio, e não são levadas ao tratamento médico. Ouvimos que o jovem escreveu uma carta, em que premeditava a sua própria morte. Pede para ser enterrado em um ritual que não é comum no Brasil (nu e envolto em lençol branco). Pede para que pessoas “impuras” (considerava no seu delírio os não virgens e adúlteros como impuros) não o toquem. Por esses indícios, parece que ele sofria de um delírio místico (deturpação da realidade com conteúdo religioso).
Outros dados de doença mental são contados pelos familiares, de que ele vinha insidiosamente mudando o seu comportamento com mudança da aparência, isolamento social e comunicação apenas pela Internet. É claro que esses sintomas são acompanhados de uma falta de lógica. Por isso não se entende o motivo de entrar naquela escola e atirar em crianças que nem o conheciam. Isso é uma pergunta que nós fazemos, não o psicótico. Ou seja, ele já demonstrava que ele estava doente. Demonstrava que precisava de auxílio psiquiátrico e psicológico.
O meu objetivo aqui é fazer com que todos deixem de estigmatizar a doença mental e a ida ao psiquiatra. É muito comum as pessoas isolarem o doente mental ou tentar mascarar os sintomas. Vejo pacientes graves chegarem ao consultório, com um familiar que achava que ele era apenas “esquisito”, que ele ficou traumatizado porque teve um rompimento amoroso ou teve um aborrecimento no trabalho.
Esse jovem parece que sofria de uma doença mental grave manifestado por delírio, isolamento social, evolução insidiosa e mudança de comportamento. Tudo leva a crer que sofria de Esquizofrenia Paranóide. Vale a pena ressaltar que não é prevalente criminalidade nos doentes mentais, os que cometem são exceção. Geralmente eles que sofrem as agressões decorrentes da discriminização.

Maconha no cérebro: legal ou ilegal?

Vale a pena ler : Pesquisa desvenda como  maconha afeta a forma como o cérebro processa as informações emocionais.

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/04/06/pesquisa-desvenda-como-maconha-afeta-forma-como-cerebro-processa-informacoes-emocionais-924170323.asp

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Birra ou Transtorno Desafiador Opositivo?

É comum pais chegarem ao consultório pedindo orientação sobre o comportamento dos seus filhos. Muitos chegam com a seguinte pergunta, “Doutora é birra ou ele tem problemas?”
Crianças podem ter birras ou pirraças. Esses comportamentos ocorrem quando querem algo e foram contrariadas. Acontecem sempre com os adultos que elas têm muita proximidade, geralmente os pais. Uma situação desse tipo seria quando querem um brinquedo e a mãe se recusa a comprar. Geralmente os pais conseguem negociar ou fazer alguns combinados diante da situação. Essas crianças em geral têm um melhor comportamento longe dos pais, por exemplo, na casa de amiguinhos.
O Transtorno Desafiador Opositor é um padrão persistente de comportamento, hostil, negativista, desafiador e desobediente diante de pessoas cuja relação é de autoridade. Esses sintomas persistem por pelo menos seis meses.
Essas crianças apresentam um comportamento sempre irritadiço, perdendo a paciência com muita facilidade. Respondem aos adultos, desafiam e infringem regras com adultos e pares. Implicam com as pessoas. Sempre tem a justificativa que o seu comportamento é decorrente da atitude do outro. Ficam com raiva e tem sentimentos de vingança. Não há negociação e sim o comportamento de confronto todo o tempo.
Esse transtorno provoca prejuízo escolar: não há participação de atividades em grupo, não pede ajuda a colegas nem a professores, insistem em não pedir ajuda mesmo com grande dificuldade.  Há também prejuízo social, porque não consegue fazer amigos devido ao envolvimento constante em brigas (sem violência física); com isso, convivem com baixa auto-estima.
A causa desse transtorno ainda não foi definida. Sabe-se que existe um componente genético associado a desencadeadores ambientais. É mais comum aparecer em crianças que pelo menos um dos pais apresenta Transtorno de Humor, Transtorno Desafiador, TDAH e Transtorno de Personalidade Social. Aparece mais em famílias onde há um desajuste na disciplina, ora são extremamente rígidos, ora são flexíveis.
Pode ser encontrado entre 2% e 16% das crianças e adolescentes. Geralmente aparece na idade pré-escolar, antes dos oito anos. Se não tratados, algo próximo de 75% dos casos evoluem para Transtorno de Conduta já na adolescência.
O Tratamento consiste em orientação aos pais e professores, psicoterapia cognitiva comportamental e psicofármacos. O tratamento deve começar o mais cedo possível, por se tratar de uma patologia que causa um grande prejuízo escolar e social. Atinge indiretamente toda a família, pois constantemente essa criança provoca os adultos, causando grandes discórdias no seu convívio.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Essa patologia passou a estar no centro de discussão da mídia, dos educadores e dos pais. Alguns são defensores dessa categoria como um problema médico e outros defendem a idéia de que é uma doença criada para vender remédios e mascarar falhas na  educação das crianças.
Vamos lá, o Transtorno de Déficit de Atenção é uma doença categorizada na Classificação Internacional de Doenças, junto a todas as outras patologias pelo código F90 (CID X) . Não é uma doença recente, os primeiros relatos aparecem no século 19.
É uma doença cujo diagnóstico é feito pela clínica/ anamnese, ou seja, pelas queixas descritas pelos pacientes, professores, cuidadores e pais. Não há auxílio de exames complementares como ressonância magnética, mapeamento cerebral e SPECT, entre outros.
O TDAH ocorre em 3 a 6% das crianças. Cerca de 60% desses pacientes persistem com o déficit de atenção na vida adulta. Na Infância é mais comum em meninos e geralmente com predominância de hiperatividade. Com o avanço da idade, a desatenção predomina com incidência maior, semelhante às meninas, em qualquer faixa etária.
Sabemos que o distúrbio de atenção é multifatorial, ou seja, têm diferentes causas: fatores genéticos, ambientais e neuroquímicos. Verificamos que o fator genético tem muita predominância, a chance de pais terem TDAH e passarem para os seus filhos é enorme; também há concordância entre gêmeos. Por isso, quando chamamos os pais para conversar, é comum pelo menos um deles referir que tinha a mesma dificuldade na Infância. Os fatores ambientais que têm destaque são a exposição à nicotina e ao álcool durante a gestação. 
Há um comprometimento da região frontal do cérebro, que é responsável pelas funções executivas e também funciona como um freio. Essas funções são de extrema importância no dia a dia do indivíduo, tais como iniciativa, planejamento e organização de tarefas, fluência e memória operacional, inibição de comportamento, auto controle, elaboração de raciocínio abstrato, alternância de tarefas, geração de hipóteses, resolução de problemas, manutenção de  esforço sustentado, regulação de comportamentos e criatividade. Não se consegue frear ou filtrar os estímulos a sua volta.
Portanto, é melhor começar o tratamento o mais cedo possível . Evitamos assim um prejuízo escolar com conseqüente baixa auto-estima e mudança de interesses (Por exemplo, pra que estudar, eu não consigo mesmo. Vou matar aula e fazer o que gosto). Além disso, se não tratado, o TDAH favorece o aumento na incidência de distúrbios de conduta na adolescência, com predomínio de uso de álcool e drogas (vide parágrafo anterior há alteração na capacidade de inibir comportamento).
Paciente podem ser divididos em 3 grupos:  o distúrbio de atenção como predominante, ou o de comportamento hiperativo como predominante ou concomitante.
Os pacientes com sintomas de déficit de atenção como predominante  são acompanhados geralmente das seguintes reclamações: não presta atenção a detalhes (cometem erros por omissão ou descuido), dificuldade de manter a atenção em atividades lúdicas (não consegue por exemplo, num intervalo, jogar damas com os amigos), parece não ouvir quando lhe dirigem a palavra (vivem no mundo da lua), tem dificuldades em seguir instruções ( dificuldade em responder perguntas sequenciais), dificuldade em organizar tarefas e atividades (na véspera da prova estuda a matéria trocada), reluta em envolver-se em atividades que exijam esforço mental (desistem de ler um texto só pelo tamanho, respondem com frases curtas),perde coisas (esquece a pesquisa em cima da mesa), distrai-se facilmente por qualquer estímulo externo e tem esquecimentos em atividades diárias (perde a lancheira na escola, esquece de ir ao curso de inglês) .
Já os do grupo com predomínio de hiperatividade/ impulsividade são: inquietos, mexem as mãos e os pés, não conseguem ficar sentados muito tempo, correm em demasia, tem dificuldade em fazer alguma atividade em silêncio, falam muito, dão respostas precipitadas antes das perguntas acabarem, tem dificuldade em esperar sua vez e interrompe as conversas ou atividades dos outros.
O terceiro grupo tem as características dos dois grupos.
Você pode imaginar que todos  têm esses sintomas em algum momento da vida e não sofrem de TDAH. É, isso pode ser verdade. Para ser considerado com TDAH esses sintomas tem que causar prejuízo em sua vida social ou profissional. Se você tiver um desses sintomas com intensidade, mas leva sem prejuízo seu dia a dia, você não tem TDAH.
O Tratamento consiste em medicamento e terapia cognitiva. 
O único medicamento aprovado para o TDAH no Brasil até o momento é o psicoestimulante metilfenidato.   É importante enfatizar que essa droga está sendo usada desde 1937 e os médicos já tem um grande conhecimento desse fármaco através de muitos trabalhos científicos e de prática clínica. O metilfenidato age regularizando a dopamina e a noradrenalina da região frontal do cérebro. Traz a melhora da desatenção, impulsividade e da hiperatividade. Existem três formas de apresentação do metilfenidato aqui no Brasil: a de ação curta, que precisa ser usada duas a três vezes ao dia, outra que dura oito horas e uma terceira que dura doze horas ao dia. O critério de escolha do metilfenidato deve ser feito em cima do número de atividades e horas que o paciente precisa estar ativo durante o dia.
Como qualquer doença mental, o TDAH pode seguir associado a outras (comorbidade), tais como: transtornos de aprendizagem, transtornos de humor, transtornos ansiosos, transtorno desafiador, transtorno com uso de álcool ou drogas. Para escolher o melhor tratamento temos que associar o metifenildato ao tratamento da comorbidade e adquirir atitudes que melhorem o seu cotidiano (auxiliar na rotina, organização, criação de  lembretes, planejamento de estudo/atividades, como por exemplo, guardar os objetos sempre no mesmo local).
E não se esqueça: o TDAH é uma doença, e como toda doença, quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhor é o prognóstico.

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