domingo, 27 de janeiro de 2013

Como cultivar um bom relacionamento entre irmãos

É claro que o bom relacionamento entre irmãos não se dá de um dia para o outro, e depende do comportamento dos pais diante da relação dos filhos. Incentivar a compreensão e a tolerância entre os irmãos é fundamental para cultivar um bom relacionamento entre eles. Não apenas do mais velho ao caçula, ou de um irmão protegendo a irmã menina por considerar a mais frágil.

Sempre incentivar a boa relação é importante. Ficar de mal ou chateado com o irmão não deve ser normal, não devemos achar graça quando eles estão zangados um com o outro. Leve a sério,  porque é assim que eles sentem a situação.

Estabeleça regras que incentivem a interação entre eles, combinados que evitem conflitos. Por exemplo, se todos querem usar o mesmo computador, TV ou vídeo-game, programe um rodízio que eles tenham que seguir. Compre jogos onde eles precisem jogar juntos e com os pais também. Envolva-os em tarefas conjuntas, seja dentro de casa ou fora. Por exemplo, arrumar a mesa do café da manhã aos domingos, ser responsável em verificar as luzes acesas da varanda de casa etc.

Crie tradições da família. Por exemplo, o hábito de arrumar a árvore de Natal e os enfeites todos juntos, em clima de festa. Sempre que for aniversário de um ou de outro irmão, deve se incentivar o presente entre eles, uma lembrancinha com o dinheiro da mesada, isso leva a pensar e conhecer o que outro gosta. 
Fale positivamente de um filho para outro e vice-versa, mostrando que os irmãos são pessoas diferentes e que cada um tem seus pontos fortes.

É importante respeitar a indivualidade de cada um. É muito comum os pais tratarem os dois irmãos da mesma forma, especialmente irmãos do mesmo sexo ou gêmeos. Isso pode ser injusto com um dos irmãos, e estimular a rivalidade. Por exemplo, um que não arruma bem o quarto, não pode ficar ouvindo sermão sobre como o outro é melhor na arrumação. Se um é super cuidadoso com os deveres de casa, não pode ficar de castigo porque o outro que não é está, por exemplo, deixando de viajar por que o irmão não pode.

A rivalidade é normal entre irmãos e fortalece o vínculo e respeito pelas diferenças que eles descobrem entre si. Mas quando isso é constante se torna um erro, os pais não podem achar normal. Nesse caso os pais devem intervir, não sendo omissos nessa desarmonia. Sempre defender o lado que considera o mais fraco (o mais novo, o que nasceu pré maturo, o que ficou muito doente quando pequeno,  a menina) não contribui em nada para melhorar essa rivalidade.

A interação entre irmãos deve ser estimulada no primogênito a partir do momento em que a mãe descobrir que está grávida – veja o artigo nesse blog “Como Fazer Meu Filho Curtir a Vinda do Irmãozinho?” (publicado em 19 de março de 2012).

domingo, 20 de janeiro de 2013

A Importância de Deixar os Filhos Terem Frustrações



Atendo muitos pais no consultório sofrendo porque não querem que os seus filhos tenham nenhum tipo de decepção. Na tentativa de serem super-pais se desdobram para que os seus filhotes não sofram. Pena que eles não sabem que é fundamental existirem frustrações, para que eles saibam que a vida é feita de momentos bons e ruins. Aprenderem que os momentos ruins passam também. Os pais devem perceber que também atendo muitas crianças e jovens encaminhados por escolas, pais e médicos em emergências (por se cortarem, se baterem, tentativas de suicídio, abuso de álcool, drogas etc.) porque não sabem lidar com a frustração.

Por exemplo, seu filho, ainda bebê, chora porque não pode brincar com o controle remoto da TV. Sempre que o responsável diz não numa situação com essa, o bebê aprende que deve respeitar seus pais e, que aquela tristeza diante da frustração passa. Quando um pouquinho maior, o responsável diz não e ele chora de soluçar, faz birra, muitas das vezes desaba de cansaço de tanto chorar. Ele acorda novinho em folha, ele aprende que aquele momento ruim passa.

Agora, se os pais não permitirem que seus filhos aprendam essa lição da vida, de que existem momentos ruins e que essa dor é passageira, quando maiores, e problemas como esse ocorrerem, vão achar que a vida acabou e a dor será muito maior, pensarão que não terá fim. Por mais que os pais digam que enquanto forem vivos protegerão sua prole, isso não será verdade, quando eles forem adultos existirão muitos momentos que os pais não poderão interferir.

Certos comportamentos são decorrentes dessa baixa tolerância à frustração. Atendo crianças e jovens que estão descontentes com a sua aparência, e esse problema passa a tomar a vida dela. Ou ainda, querem ser aceitos por um grupo ou namorar uma determinada pessoa, e ao receberem a negativa sofrem. Todos nós passamos por isso, mas a diferença que quando já tivemos frustrações na Infância, sabemos que o tempo é um bom remédio para aliviar esse sofrimento. Quando o indivíduo nunca sentiu dor ou angústia, diante de uma decepção, acredita-se que aquele sofrimento é muito assustador e é eterno. Essa sensação de dor e a crença de que nunca irá acabar leva a comportamentos depressivos, impulsivos ou até ao uso de álcool ou drogas na tentativa de aliviar a sensação ruim.

Deixe o seu filho se decepcionar ainda na Infância com coisas normais da vida. Não ter o presente que queria em um passeio no shopping, não comprar tudo que deseja durante uma viagem, não dormir na casa de um amigo ou não trazer um amigo, em dia inconveniente para a família, não ir à festa que todos vão, devem ser experiências de vida, são situações de negativa normais na vida de todos. Ele, com o tempo, vai aprender a conviver com esse “não”, e até entender que aquela negativa teve motivos para acontecer.

Faça bem ao seu filho, deixe se decepcionar com as coisas comuns na idade, enquanto pode aprender no seu colo.   

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mamada de Gêmeos – Ansiedade da Mãe

Talvez pelo aumento da população de gêmeos (de 1% para 3% no Brasil), passei a receber no consultório muitas grávidas e mães de gêmeos com queixas de ansiedade e preocupação sobre como lidar com esse desafio.


É claro que ser pai de gêmeos é muito cansativo. Associado a isso existe uma adaptação do casal aos bebês, ao aumento dos gastos e a falta de tempo. Para atenuar essa fase de adaptação é importante tentar simplificar a rotina com os gêmeos (ou trigêmeos, quadrigêmeos etc.) para ter menos impacto na vida conjugal e reduzir a ansiedade dessa nova fase.

Muitas pacientes se queixam de que se perdem em quem tomou banho, arrotou ou trocou fralda, e isso gera insegurança e medo de fracassar como mãe. Sugiro criar tabelas, para saber quem mamou, tomou banho, trocou fralda etc. Para quem nunca teve filhos ou teve, mas não gêmeos, pode parecer bobagem essa ideia da tabela, mas para quem está cansada, muitas noites sem dormir e com vários bebês em casa, isso ajuda bastante.

Outra dica é tentar uma posição confortável para tentar amamentar os gêmeos ao mesmo tempo. Com isso, há reforço na produção de leite, e se cria uma rotina mais semelhante de dormida para os bebês. Deve-se tentar que os dois (ou três, ou quatro) durmam no mesmo horário, para que a mãe possa descansar junto. Se cada um mamar num horário, a mãe não fará outra coisa e não descansará.

É necessário também criar momento de interação dos pais com cada gêmeo separado e juntos, para aprofundar a ligação, à medida que forem crescendo. Isso ajuda na identificação de cada bebê como indivíduo, já que eles não se reconhecem como único, pois ficaram muito tempo juntos no útero.


Essas medidas são importantes para atenuar o estresse dos pais de gêmeos. Se começarem a vida como pais com ansiedade e sensação de fôlego curto, essa empreitada trará consequências na vida familiar a médio a longo prazo. 

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...