É comum chegar ao meu consultório gestantes sofrendo de
depressão ou ansiedade. Essas pacientes ou nunca fizeram tratamento e tiveram o
início (ou agravamento) de seu quadro com o estressor emocional da gestação, ou
tiveram o seu tratamento prévio interrompido por orientação do obstetra ou
conselho da família.
Esse conselho de que não se deve usar medicamento controlado
na gravidez porque pode fazer mal ao bebê, na maioria das vezes, é acompanhado
de outra recomendação, a de tentar calmantes naturais para controlar a
ansiedade. Esses calmantes naturais (a maioria deles) não se baseiam em nenhum
estudo científico, e ainda tem procedência duvidosa. Ou seja, desses não se
conhece os seus efeitos colaterais na gestação e no feto. Não é porque é
natural que não faz mal, temos como exemplo o chá de cogumelos, que é altamente
alucinógeno e é natural, ou ainda a maconha, uma folha, que prejudica a memória,
entre outros.
Na maioria das vezes, conviver com a depressão ou ansiedade
é muito mais prejudicial à mãe e ao bebê do que fazer o tratamento
medicamentoso. Isto porque a gestante, nessa situação, libera cortisol, hormônio
do estresse, que fica circulante na mãe e no feto. O cérebro em formação do
feto, ao ser acostumado com altas doses de cortisol, passa a ter menos
receptores para esse hormônio, dificultando para toda a sua vida o
enfrentamento nas situações de estresse.
Por isso, é muito importante procurar ajuda de um
profissional Psiquiatra, com experiência e conhecimento das medicações não contraindicadas
pelo FDA, e que junto com o obstetra possa avaliar o risco / benefício para a grávida e
seu bebê.