domingo, 28 de fevereiro de 2016

Mutismo Eletivo


O Mutismo Eletivo é uma doença descrita pela Organização Mundial de Saúde no capítulo dos Transtornos Mentais e comportamentais e representado pelo código F94.0. É caracterizado pela recusa da criança em falar em alguns locais, em algumas ocasiões ou com certas pessoas. As crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar adequadamente. É uma patologia pouco conhecida, presente em menos de 1% da população com distúrbios psiquiátricos. Segundo a "American of Child and Adolescent", têm  mutismo eletivo 7 entre cada 1000 crianças.

Essas crianças têm o interesse em se comunicar. Interagem através do olhar, gestos, sinais e pela linguagem corporal. Quando diante de um adulto desconhecido ou pouco íntimo tende a baixar o olhar pela timidez. Ela consegue falar normalmente em casa ou até pelo telefone, mas se mantém muda fora do ambiente doméstico.

O mutismo eletivo pode ocorrer em qualquer faixa etária da criança. É mais comum ter o seu início antes dos cinco anos. É também mais frequente em meninas. A percepção dessa criança é que ela é o centro das atenções, isso provoca uma intensa ansiedade. Esse desconforto é tão grande que inibe a sua fala.

A causa do mutismo eletivo é multifatorial, são diversos elementos que precisam estar presentes para desenvolver esse transtorno. É necessário nascer com uma predisposição genética para desenvolver uma síndrome ansiosa diante de um estresse. É preciso ter um temperamento mais tímido. Normalmente existe relato prévio de ter sido uma criança muito tímida e pouco sociável. É também encontrada uma interação familiar com características de simbiose, geralmente essa relação de dependência ocorre com a mãe.

Também contribui para o desenvolvimento do Mutismo Eletivo a forma como os pais influenciam a criança, por exemplo, demonstrando que pensam na interação com outras pessoas como uma situação desagradável e problemática. Em poucos casos o início ocorre após um trauma, mas sempre é encontrado com intensidade menor do que os casos relacionados com os fatos anteriormente citados.

Essas crianças desejam se comunicar mas não conseguem fora do seu ambiente "seguro". Esse é um grande diferencial para não dar erroneamente o diagnóstico de Autismo. É comum estar presente timidez exagerada, ataques de birra, agressividade, raiva, mudança de humor e intensa ansiedade. Alguns relatos falam de crianças em que os sintomas desapareceram espontaneamente. A maioria dessas crianças leva à cronicidade, caso não buquem tratamento, logo após início do quadro.

O tratamento do Mutismo Eletivo não é bem descrito na literatura. O foco do tratamento é a psicoterapia individual e familiar. É necessário atenuar as manifestações comportamentais dessa criança através de melhora da sua sensação de segurança, aumento da autoestima e redução da ansiedade.O uso de psicofarmacos pelo neuropsiquiatra é restrito para combater os sintomas de raiva, agressividade, ansiedade e mudanças de humor. Também pode ser indicado o medicamento quando o especialista diagnostica outras comorbidades ao mutismo nessa criança.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Crianças com TDAH Vivem Menos que a População Geral



Esse estudo foi realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Foi publicado na “Frontiers of Molecular Neuroscience” e no site “EurekAlert”, em setembro de 2015.

Sempre se soube que a criança de TDAH impacta a família sob o aspecto emocional e social, devido ao quadro de desatenção e especialmente pela hiperatividade. O que até então não se sabia é que o TDAH influencia o DNA dos portadores e de seus familiares, aumentando o risco de envelhecimento precoce e o surgimento de novas doenças. Isso levaria a redução da expectativa de vida.

Os pesquisadores identificaram que os telômeros estão reduzidos nas crianças com TDAH e em suas mães. Os telômeros são marcadores biológicos que ficam na ponta dos cromossomos e que se desgastam com o tempo e fatores estressores, levando ao envelhecimento precoce.

Nesse estudo foi analisado material genético de crianças de 6 a 16 anos com TDAH e de seus pais. Observou-se que tanto no grupo de crianças com TDAH quanto no e de suas mães havia redução dos telômeros. Essa redução não foi encontrada no grupo de pais. Acredita-se que a diminuição dos telômeros ocorreu no grupo de mães e não no de pais porque são as genitoras que ficam maior tempo responsável pelos filhos.

Essa pesquisa revelou que a criança com TDAH não envolve a família apenas pelo efeito emocional. Há acometimento biológico e que pode afetar futuras gerações. O encurtamento do telômero pode ser passado para os filhos.

Isso aumenta a importância de se iniciar o mais cedo possível o tratamento da criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Terapia Cognitivo Comportamental – TCC




Este artigo, escrito em parceria com a neuropsicóloga Marcia Ferreira, fala sobre TCC e sua importância no tratamento de vários quadros e distúrbios.

A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é a abordagem psicoterápica que mais cresceu nos últimos anos junto com a Neurociência. Existem muitos estudos comprovando a sua eficácia através de abordagens clínicas com entrevistas semiestruturadas, questionários específicos e neuroimagem funcional.

A TCC foi criada em 1960 por Aaron T. Beck e desenvolvida com a ajuda de diversos psiquiatras e psicólogos da época. Ela se baseia na função cognitiva se responsabilizando pelo aspecto emocional e comportamental do indivíduo. 

Desde a Antiguidade até os tempos atuais, filósofos descreviam o indivíduo como decorrente do seu pensar (função cognitiva). Pesquisas demonstram a eficácia da terapia cognitiva comportamental na mudança das cognições de medo, depressão e ansiedade. Portanto, para muitos pacientes o tratamento ideal consiste na associação TCC e medicamentos específicos para sua patologia.

A Terapia Cognitivo comportamental é utilizada a curto prazo, geralmente por cerca de vinte sessões.  Quando existem diferentes comorbidades, situações de cronicidade ou dificuldade de compreensão da doença, é necessário estender esse projeto terapêutico por mais tempo. Sempre esse trabalho é feito em conjunto, neuropsicólogo e psiquiatra, para determinar a melhor estratégica para cada paciente, levando em consideração sua história de vida passada e atual, doença, estressores do meio, ausência ou presença de apoio familiar.

A TCC é basicamente trabalhar o aqui e o agora. Com isso, mais rápido o indivíduo alcança a sua qualidade de vida. É claro que mesmo enfatizando o momento atual a TCC não perde a perspectiva longitudinal do indivíduo. Para ajuda-lo e ter uma eficácia no presente é preciso também avaliar a primeira infância do paciente, histórico familiar, traumas, experiências positivas e negativas, educação, história de trabalho e influências sociais, para que possamos compreender melhor o paciente. Desse modo podemos planejar o tratamento mais adequado a esse indivíduo. 

O terapeuta de TCC é bem ativo nos atendimentos. Ele ajuda a estruturar a sessão, dá feedback da evolução e passa atividades a serem feitas dentro e fora da sessão, para que seja atingida mais rápido a melhora. Os pacientes também são orientados a todo o momento de como a TCC exercita a sua cognição e aprendem a utilizar essas técnicas no seu dia a dia. Ela trabalha o autoconhecimento, onde o paciente percebe e identifica os seus pensamentos disfuncionais.  Aprende a usar técnicas para a detecção e modificação de pensamentos que desencadeiam os sintomas patológicos, de medos, ansiedade, depressão, compulsões, raiva e outros.  

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...