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terça-feira, 11 de junho de 2013
Terapia Cognitiva Comportamental em crianças e adolescentes com ansiedade
A Terapia Cognitiva comportamental em crianças e Adolescentes com ansiedade foi tema de discussão no Congresso Europeu de Psiquiatria (EPA) realizado em Nice em abril de 2013.
O Dr. Krister Fjermestad demonstrou que adolescentes e crianças atendidas no Haukeland University Hospital, com quadro de ansiedade, respondiam satisfatoriamente a terapia cognitivo comportamental (TCC). O grupo de crianças ansiosas que não respondiam a TCC apresentavam outras comorbidades.
Ele mostrou um follow-up de 182 pacientes atendidos com diferentes tipos de transtornos de ansiedade. A TCC teve um maior efeito no grupo de crianças que sofriam de transtorno de ansiedade generalizada, quando comparados ao grupo de fobia social, por exemplo.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
A Farmacoterapia não representa nem o Início nem o final do Tratamento do TDAH
Conforme apresentação no Congresso Europeu de Psiquiatria, realizado em Nice no período de 6 a 9 de novembro de 2013, a Dra Sandra Kooij afirmou que a Farmacoterapia nunca é o início e nem o final do tratamento do TDAH.
Ela afirmou que sua pesquisa em pacientes adultos com TDAH demonstrou que todos tiveram o seu início clínico na Infância, mesmo os que não buscaram tratamento. Referiu também a importante expressão genética encontrada nesses pacientes. Todos afirmaram que tinham pelo menos um dos pais com curso de vida bem semelhante.
Demostrou que os adultos costumam se apresentar com mudanças de humor, prejuízo nos seus relacionamentos e dificuldade em lidar com dinheiro. Podem também apresentar abuso de álcool e outras drogas, que inicialmente podem reduzir os sintomas do TDAH e cruzar com o problema com o álcool. Isso pode causar confusão no momento do diagnóstico, e portanto influenciar no tratamento adequado.
Pode- se observar nesse modelo de entrevistas as outras patologias encontradas nesses indivíduos com TDAH. Isso é muito importante na pratica clinica, pois o paciente pode procurar ajuda, de queixas de TDAH, e passar desapercebido queixas de outras comodidades. Ou também o inverso, pode nos procurar com queixas de algum diagnostico (como disfunção do sono, por exemplo) e nos não investigarmos a presença do TDAH, especialmente nos adultos, porque costumam confundir sintomas de TDAH com traços de sua personalidade.
A maioria dos pacientes da pesquisa buscaram ajuda profissional em torno de 35 anos de convívio com a doença. Nunca souberam que o que consideravam características de sua pessoa fossem sintomas que causavam grave prejuízo profissional, pessoal e social, como parte de uma doença que tem tratamento.
Em sua pesquisa os pacientes eram diagnosticados por uma entrevista semiestruturada. Podem-se observar também as suas comorbidades.
Problemas de sono ocorreram em 80% dos pacientes, e se iniciaram na Infância. Todos se consideravam como pessoas típicas da noite, com muita dificuldade para iniciar o sono. Algumas pessoas citaram episódios extremos ainda crianças. Foi ressaltado que essa dificuldade para dormir também leva a outras comorbidades, como obesidade, diabetes, câncer e hipertensão arterial.
Nesse estudo observou-se também que os pacientes tem em média um atraso de uma hora e trinta minutos do sono por dia, ao longo da vida.
Os pacientes foram orientados a mudar hábitos antes de iniciar o tratamento do TDAH propriamente dito. Ela propôs uma higienização do sono, psicoeducação da doença e técnicas comportamentais, que melhorem a ansiedade e a depressão, associados na maioria dos pacientes com TDAH adultos. Foram também atendidos para orientação, como deveriam se organizar nas tarefas com a noção de tempo.
Depois desse primeiro passo, os pacientes eram encaminhados para o uso de drogas específicas para o TDAH. Ela acredita que se não passarem pelo primeiro passo de educação e orientação, dificilmente os pacientes irão se organizar de forma a aderir ao tratamento medicamentoso. Assim, responderiam a uma menor dose.
domingo, 27 de janeiro de 2013
Como cultivar um bom relacionamento entre irmãos
É claro que o bom relacionamento entre irmãos não se dá de
um dia para o outro, e depende do comportamento dos pais diante da relação dos
filhos. Incentivar a compreensão e a tolerância entre os irmãos é fundamental
para cultivar um bom relacionamento entre eles. Não apenas do mais velho ao
caçula, ou de um irmão protegendo a irmã menina por considerar a mais frágil.
Sempre incentivar a boa relação é importante. Ficar de mal
ou chateado com o irmão não deve ser normal, não devemos achar graça quando
eles estão zangados um com o outro. Leve a sério, porque é assim que eles sentem a situação.
Estabeleça regras que
incentivem a interação entre eles, combinados que evitem conflitos. Por
exemplo, se todos querem usar o mesmo computador, TV ou vídeo-game, programe um
rodízio que eles tenham que seguir. Compre jogos onde eles precisem jogar
juntos e com os pais também. Envolva-os em tarefas conjuntas, seja dentro de
casa ou fora. Por exemplo, arrumar a mesa do café da manhã aos domingos, ser
responsável em verificar as luzes acesas da varanda de casa etc.
Crie tradições da família. Por exemplo, o hábito de arrumar
a árvore de Natal e os enfeites todos juntos, em clima de festa. Sempre que for
aniversário de um ou de outro irmão, deve se incentivar o presente entre eles, uma
lembrancinha com o dinheiro da mesada, isso leva a pensar e conhecer o que
outro gosta.
Fale positivamente de um filho para outro e vice-versa, mostrando
que os irmãos são pessoas diferentes e que cada um tem seus pontos fortes.
É importante respeitar a indivualidade de cada um. É muito
comum os pais tratarem os dois irmãos da mesma forma, especialmente irmãos do mesmo
sexo ou gêmeos. Isso pode ser injusto com um dos irmãos, e estimular a
rivalidade. Por exemplo, um que não arruma bem o quarto, não pode ficar ouvindo
sermão sobre como o outro é melhor na arrumação. Se um é super cuidadoso com os
deveres de casa, não pode ficar de castigo porque o outro que não é está, por
exemplo, deixando de viajar por que o irmão não pode.
A rivalidade é normal entre irmãos e fortalece o vínculo e
respeito pelas diferenças que eles descobrem entre si. Mas quando isso é
constante se torna um erro, os pais não podem achar normal. Nesse caso os pais devem
intervir, não sendo omissos nessa desarmonia. Sempre defender o lado que
considera o mais fraco (o mais novo, o que nasceu pré maturo, o que ficou muito
doente quando pequeno, a menina) não
contribui em nada para melhorar essa rivalidade.
domingo, 20 de janeiro de 2013
A Importância de Deixar os Filhos Terem Frustrações
Atendo muitos pais no consultório sofrendo porque não querem
que os seus filhos tenham nenhum tipo de decepção. Na tentativa de serem super-pais
se desdobram para que os seus filhotes não sofram. Pena que eles não sabem que
é fundamental existirem frustrações, para que eles saibam que a vida é feita de
momentos bons e ruins. Aprenderem que os momentos ruins passam também. Os pais devem
perceber que também atendo muitas crianças e jovens encaminhados por escolas,
pais e médicos em emergências (por se cortarem, se baterem, tentativas de
suicídio, abuso de álcool, drogas etc.) porque não sabem lidar com a
frustração.
Por exemplo, seu filho, ainda bebê, chora porque não pode
brincar com o controle remoto da TV. Sempre que o responsável diz não numa situação
com essa, o bebê aprende que deve respeitar seus pais e, que aquela tristeza
diante da frustração passa. Quando um pouquinho maior, o responsável diz não e
ele chora de soluçar, faz birra, muitas das vezes desaba de cansaço de tanto
chorar. Ele acorda novinho em folha, ele aprende que aquele momento ruim passa.
Agora, se os pais não permitirem que seus filhos aprendam
essa lição da vida, de que existem momentos ruins e que essa dor é passageira,
quando maiores, e problemas como esse ocorrerem, vão achar que a vida acabou e
a dor será muito maior, pensarão que não terá fim. Por mais que os pais digam
que enquanto forem vivos protegerão sua prole, isso não será verdade, quando
eles forem adultos existirão muitos momentos que os pais não poderão
interferir.
Certos comportamentos são decorrentes dessa baixa tolerância
à frustração. Atendo crianças e jovens que estão descontentes com a sua
aparência, e esse problema passa a tomar a vida dela. Ou ainda, querem ser
aceitos por um grupo ou namorar uma determinada pessoa, e ao receberem a
negativa sofrem. Todos nós passamos por isso, mas a diferença que quando já
tivemos frustrações na Infância, sabemos que o tempo é um bom remédio para
aliviar esse sofrimento. Quando o indivíduo nunca sentiu dor ou angústia,
diante de uma decepção, acredita-se que aquele sofrimento é muito assustador e é
eterno. Essa sensação de dor e a crença de que nunca irá acabar leva a
comportamentos depressivos, impulsivos ou até ao uso de álcool ou drogas na
tentativa de aliviar a sensação ruim.
Deixe o seu filho se decepcionar ainda na Infância com coisas
normais da vida. Não ter o presente que queria em um passeio no shopping, não comprar
tudo que deseja durante uma viagem, não dormir na casa de um amigo ou não trazer
um amigo, em dia inconveniente para a família, não ir à festa que todos vão,
devem ser experiências de vida, são situações de negativa normais na vida de
todos. Ele, com o tempo, vai aprender a conviver com esse “não”, e até entender
que aquela negativa teve motivos para acontecer.
Faça bem ao seu filho, deixe se decepcionar com as coisas
comuns na idade, enquanto pode aprender no seu colo.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Mamada de Gêmeos – Ansiedade da Mãe
Talvez pelo aumento
da população de gêmeos (de 1% para 3% no Brasil), passei a receber no
consultório muitas grávidas e mães de gêmeos com queixas de ansiedade e
preocupação sobre como lidar com esse desafio.
É claro que ser pai de gêmeos é muito cansativo. Associado a
isso existe uma adaptação do casal aos bebês, ao aumento dos gastos e a falta
de tempo. Para atenuar essa fase de adaptação é importante tentar simplificar a
rotina com os gêmeos (ou trigêmeos, quadrigêmeos etc.) para ter menos impacto
na vida conjugal e reduzir a ansiedade dessa nova fase.
Muitas pacientes se queixam de que se perdem em quem tomou
banho, arrotou ou trocou fralda, e isso gera insegurança e medo de fracassar
como mãe. Sugiro criar tabelas, para saber quem mamou, tomou banho, trocou
fralda etc. Para quem nunca teve filhos ou teve, mas não gêmeos, pode parecer bobagem
essa ideia da tabela, mas para quem está cansada, muitas noites sem dormir e
com vários bebês em casa, isso ajuda bastante.
Outra dica é tentar uma posição confortável para tentar
amamentar os gêmeos ao mesmo tempo. Com isso, há reforço na produção de leite,
e se cria uma rotina mais semelhante de dormida para os bebês. Deve-se tentar
que os dois (ou três, ou quatro) durmam no mesmo horário, para que a mãe possa
descansar junto. Se cada um mamar num horário, a mãe não fará outra coisa e não
descansará.
É necessário também criar momento de interação dos pais com
cada gêmeo separado e juntos, para aprofundar a ligação, à medida que forem
crescendo. Isso ajuda na identificação de cada bebê como indivíduo, já que eles
não se reconhecem como único, pois ficaram muito tempo juntos no útero.
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