domingo, 9 de julho de 2017

Idosos com demência demandam cuidados no ambiente doméstico


Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando bastante. Dos casos de demência, o Alzheimer representa 60% dessa população. As medicações que temos atualmente só melhoram os estágios iniciais da doença. Portanto, cada vez mais é importante associarmos medidas para tentar reduzir ou retardar ao máximo alterações da função cognitiva, comportamental e do funcionamento global.  

Algumas dessas estratégias são realizadas pelo familiar no ambiente doméstico que o idoso vive.

Sabemos que o esquecimento sempre vai ocorrer. Deve-se manter os objetos do seu cotidiano, móveis e porta retratos da forma como sempre foram acostumados. Deve-se evitar mudanças na arrumação dos móveis do quarto para não acelerar o esquecimento e provocar agitação. Se sempre curtiu uma prateleira no quarto onde mantinha os objetos de viagem que colecionava, deixe para ativar as suas memórias.

Para também reforçar as lembranças é sugerido manter álbuns de fotografia de fácil acesso ao idoso. Se gostava de músicas, estimule-o a ter contato com as músicas que apreciava. Assim como, assistir os programas de TV que apreciava. Por exemplo, gostava de ver programa esportivo, ligar a TV nesse horário.

Manter alguns hábitos, mesmo que não peça mais. Por exemplo, gostava de tomar o seu chá sentado numa determinada poltrona. Quando possível, ofereça seu chá nessa poltrona.

Deixar relógio e calendário de fácil acesso no seu quarto. Isso deve ser estimulado pelo familiar e cuidador para manter-se ligado aos horários e dias da semana e perceber as diferenças dos turnos no cotidiano. O quarto deve estar mais claro de dia preferencialmente com luz natural para auxiliar na diferenciação do dia para noite. É importante deixar claro as datas de visita para evitar angustia e espera. Por exemplo, seu neto nunca irá em uma terça no meio tarde visitá-la porque está trabalhando.

Em estágios moderados ou avançados, algumas mudanças podem deixar o idoso mais agitado e inseguro. Cores podem confundí-los e, por isso, deve-se preferir tonalidades mais uniformes e utilizar menos estampas em cortinas, colchas e toalhas de mesa. Casa com muitos espelhos podem assustar os idosos porque muitas das vezes não se reconhecem no próprio reflexo.

Sua autonomia deve ser estimulada ao máximo. Para tentar isso muitas vezes, é preciso etiquetar as gavetas do armário do quarto, banheiro e cozinha para poder se achar. Mesmo que antes era óbvio, que na gaveta do banheiro ficava a escova do cabelo e seu creme, coloque escrito. Assim, quando se esquecer o que fazer após escovar os dentes, poderá ler e se recordar, que tinha o hábito de escovar os cabelos e passar o creme.

Deve-se colocar barras de apoio no corredor, no box e ao lado do vaso sanitário. Assim, cria-se um apoio e a dependência física de um cuidador pode ser evitada por mais tempo. Deve deixar uma cadeira de plástico com braços dentro do box. Quando se cansar de ficar em pé no banho, pode sentar e relaxar.  O piso deve ser antiderrapante e a porta do box deve-se abrir para fora para evitar acidentes.

Deve se evitar tapetes e escadas para não tropeçar. Se são inevitáveis as escadas, devem colocar iluminação e marcas para chamar atenção para o final de cada degrau.

Deve ser mantida uma iluminação branca durante a noite. Muitos problemas são decorrentes de tombos ou batidas em móveis por não enxergar adequadamente. Uma outra sugestão é iluminação com sensor de movimento, assim, não vai precisar procurar o interruptor para acender a luz do banheiro, por exemplo.

Em fases mais avançadas, devem ser trocadas louças e copos de vidro por plástico. Assim como, proteger as quinas dos móveis para evitar acidentes.

Barulhos geralmente agitam muito o idoso e pioram sua confusão mental. Portanto, é recomendável um ambiente com isolamento acústico para reduzir o barulho que vem da rua ou do próprio movimento da casa.

Essas são algumas das medidas que devem ser tomadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com demência.

   

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Gene no Cérebro e Depressão


Já é conhecido que a depressão é uma doença de causa multifatorial, ou seja, é necessário diversos fatores para que a doença se desenvolva. Sabemos que é necessário a associação de estresse, temperamento e genética.
Em 2006, foi descoberto o gene SLc6a15 e, em 2011, foi confirmado a sua relação com o Transtorno depressivo.
Agora, em 2017, foi publicado na revista Journal  of Neuroscience em 06 de julho de 2017, cientistas do Departamento de Anatomia e Neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade Americana, que o gene SLc6a15 ativado em determinadas áreas do cérebro, especialmente no nucleus acumbens, desencadeia a doença.
A pesquisa liderada pela cientista Mary Kay demonstra que ativando esse gene há maior risco para depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.
Além de diversos testes em camundongos, foram examinandos cadáveres que morreram por suicídio. Eles notaram que os nucleus acumbens exibiam desativação desse gene.
Ainda não se sabe como exatamente esse gene SLc6a15 atua no cérebro, mas se sabe que ele tem um papel fundamental na regularização de vários neurotransmissores associados ao humor.
Pesquisas futuras podem levar ao desenvolvimento de novas drogas que possam atuar mais rapidamente no tratamento da depressão e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas que sofrem de depressão.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

TDAH



Um campeão com ajuda profissional passou a entender o que é o TDAH e passou a potencializar o seu futuro.

https://youtu.be/L9nJkS39BPw

domingo, 18 de junho de 2017

Vários antidepressivos na gravidez não estão associados a problemas cardíacos

Esse dado é de extrema importância no momento de decidir se descontinuamos o antidepressivo quando a paciente encontra-se grávida ou se prescrevemos o antidepressivo numa depressão durante uma gestação.
Já se tem estudos publicados pelo FDA mostrando que uma grávida em depressão não tratada tem maior chance de mal formação congênita. Além de que, o bebê receberá tudo dessa mãe, ou seja, perceberá todas as alterações da depressão, como, maior sensibilidade ao cortisol, por exemplo. 
Segue abaixo o resumo do artigo publicado na revista médica New England Journal Medicine: 

ANTIDEPRESSANTS IN PREGNANCY NOT ASSOCIATED WITH CARDIAC DEFECTS
There are concerns about a possible association between antidepressant use during pregnancy, particularly SSRIs, and cardiac defects. This US study involving almost 1 million pregnant women—of  which  64,389 had used antidepressants during the first trimester—found no substantial increase in the risk of cardiac malformations attributable to antidepressant use.
 
Huybrechts KF al. Antidepressant Use in Pregnancy and the Risk of Cardiac Defects. N Engl J Med 2014; 370:2397-2407June 19, 2014DOI: 10.1056/NEJMoa1312828


Nesse mesmo blog temos dois artigos já publicados sobre a importância do tema e que recomendo a leitura: 
- Gravidez e medicamentos controlados . 

- Neurodesenvolvimento em crianças expostas á depressão em mulheres não tratadas ou em uso de antidepressivos. 


terça-feira, 6 de junho de 2017

Esquizofrenia? Bipolaridade ou Transtorno de Humor?


Saiu ontem na Folha de SP uma reportagem sobre um brasileiro que teve a sua primeira crise aos 26 anos. Recebeu erradamente o diagnóstico de esquizofrenia. 
Foi apresentando diversas crises pelo diagnóstico errado e pela falta de conhecimento sobre a necessidade de tratamento medicamentoso e psicoterápico regular.
Devido à presença de sintomas psicóticos, recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. 
Existe um subtipo do Transtorno de Humor ou Transtorno Bipolar que pode cursar com quadro psicótico caracterizado por delírios e/ou alucinações mas que ao ver no decorrer da história tem ciclos depressivos. Esses ciclos podem variar por horas, semanas, meses ou até mesmo anos. Esse subtipo é menos prevalente e, por isso, torna-se mais difícil de ser reconhecido e devidamente tratado.
É muito importante o diagnóstico correto e a conscientização do que é a doença para a adesão ao tratamento.

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...