Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de
demência vem aumentando bastante. Dos casos de demência, o Alzheimer representa
60% dessa população. As medicações que temos atualmente só melhoram os estágios
iniciais da doença. Portanto, cada vez mais é importante associarmos medidas
para tentar reduzir ou retardar ao máximo alterações da função cognitiva,
comportamental e do funcionamento global.
Algumas dessas estratégias são realizadas pelo familiar no
ambiente doméstico que o idoso vive.
Sabemos que o esquecimento sempre vai ocorrer. Deve-se
manter os objetos do seu cotidiano, móveis e porta retratos da forma como
sempre foram acostumados. Deve-se evitar mudanças na arrumação dos móveis do
quarto para não acelerar o esquecimento e provocar agitação. Se sempre curtiu
uma prateleira no quarto onde mantinha os objetos de viagem que colecionava,
deixe para ativar as suas memórias.
Para também reforçar as lembranças é sugerido manter álbuns
de fotografia de fácil acesso ao idoso. Se gostava de músicas, estimule-o a ter
contato com as músicas que apreciava. Assim como, assistir os programas de TV
que apreciava. Por exemplo, gostava de ver programa esportivo, ligar a TV nesse
horário.
Manter alguns hábitos, mesmo que não peça mais. Por exemplo,
gostava de tomar o seu chá sentado numa determinada poltrona. Quando possível,
ofereça seu chá nessa poltrona.
Deixar relógio e calendário de fácil acesso no seu quarto.
Isso deve ser estimulado pelo familiar e cuidador para manter-se ligado aos
horários e dias da semana e perceber as diferenças dos turnos no cotidiano. O
quarto deve estar mais claro de dia preferencialmente com luz natural para
auxiliar na diferenciação do dia para noite. É importante deixar claro as datas
de visita para evitar angustia e espera. Por exemplo, seu neto nunca irá em uma
terça no meio tarde visitá-la porque está trabalhando.
Em estágios moderados ou avançados, algumas mudanças podem
deixar o idoso mais agitado e inseguro. Cores podem confundí-los e, por isso, deve-se
preferir tonalidades mais uniformes e utilizar menos estampas em cortinas,
colchas e toalhas de mesa. Casa com muitos espelhos podem assustar os idosos
porque muitas das vezes não se reconhecem no próprio reflexo.
Sua autonomia deve ser estimulada ao máximo. Para tentar isso
muitas vezes, é preciso etiquetar as gavetas do armário do quarto, banheiro e
cozinha para poder se achar. Mesmo que antes era óbvio, que na gaveta do
banheiro ficava a escova do cabelo e seu creme, coloque escrito. Assim, quando
se esquecer o que fazer após escovar os dentes, poderá ler e se recordar, que
tinha o hábito de escovar os cabelos e passar o creme.
Deve-se colocar barras de apoio no corredor, no box e ao
lado do vaso sanitário. Assim, cria-se um apoio e a dependência física de um
cuidador pode ser evitada por mais tempo. Deve deixar uma cadeira de plástico
com braços dentro do box. Quando se cansar de ficar em pé no banho, pode sentar
e relaxar. O piso deve ser
antiderrapante e a porta do box deve-se abrir para fora para evitar acidentes.
Deve se evitar tapetes e escadas para não tropeçar. Se são
inevitáveis as escadas, devem colocar iluminação e marcas para chamar atenção
para o final de cada degrau.
Deve ser mantida uma iluminação branca durante a noite.
Muitos problemas são decorrentes de tombos ou batidas em móveis por não
enxergar adequadamente. Uma outra sugestão é iluminação com sensor de
movimento, assim, não vai precisar procurar o interruptor para acender a luz do
banheiro, por exemplo.
Em fases mais avançadas, devem ser trocadas louças e copos
de vidro por plástico. Assim como, proteger as quinas dos móveis para evitar acidentes.
Barulhos geralmente agitam muito o idoso e pioram sua
confusão mental. Portanto, é recomendável um ambiente com isolamento acústico
para reduzir o barulho que vem da rua ou do próprio movimento da casa.
Essas são algumas das medidas que devem ser tomadas para
melhorar a qualidade de vida dos pacientes com demência.
