sexta-feira, 14 de julho de 2017

Impacto do Transtorno de Humor Não Tratado


 

O Transtorno Bipolar ou Transtorno de Humor é uma doença crônica que se manifesta por fases de depressão, euforia e normalidade. Ás vezes, podem ter episódios mistos, ou seja depressão e euforia concomitante, o que se confunde com quadros de ansiedade.

A maioria dos pacientes só buscam ajuda nas fases depressivas, o que faz com que a doença se agrave. A conscientização de que a doença evolui em fases e que precisará ser tratada com estabilizador de humor para toda a vida é fundamental para a adesão ao tratamento e para identificar os sinais e sintomas de seu quadro.

Outro fator importante para não agravar a doença é evitar diversos fatores desencadeantes, como uso de alguns remédios (certos antidepressivos e  anorexígenos), abuso de álcool, drogas,
energéticos e de alguns estimulantes para aumentar performance nos exercícios físicos, privação de sono e diversos estressores familiares e a suspensão de medicamentos por conta própria.

Muitos pacientes são estimulados por amigos, familiares e até profissionais de saúde a abandonarem a medicação por desconhecerem a fisiopatologia da doença. Não sabe que a pessoa está bem porque faz uso do psicofarmaco. Outros casos por se identificar com algumas características da doença e não saber que também tem a doença em uma menor intensidade, incentivam que isso é da normalidade ou temperamento da pessoa.

Outras situações que vejo são muitos profissionais ou "entendidos" lerem bulas ou verificarem alguma alteração ao exame e associarem ao uso de remédio. Vou citar alguns exemplos que vi em meu consultório na última semana. Paciente já fazia uso do medicamento há alguns meses e apareceu uma lesão dermatológica, talvez alérgica. Já afirmou ser do remédio, mas não investigou a misturada de bebidas e energéticos mais os suplementos vitamínicos que tinha ingerido na véspera. Outro caso, surgiu uma pequena alteração ao exame de sangue que não significa doença hepática, apenas que o fígado está metabolizado alguma nova substância e essa também foi imediatamente atribuída ao remédio. Não investiga o que mais está sendo usado, como, ingesta abusiva de álcool ou anticoncepcional, por exemplo. É claro, que sem fazer o contato direto com o profissional que conhece o histórico da doença psiquiátrica. Com isso, o paciente abandona o tratamento, agravando a sua doença e abala a relação médico paciente tão difícil de acontecer nos pacientes com algum distúrbio mental.

Essas recaídas fazem com que tenham um grande prejuízo na sua vida . Muitos abandonam ou repetem a faculdade, entram de licenças médicas no trabalho, perdem promoções ou emprego, relacionamentos familiares e conjugais ruins, aumentam a ingestão de álcool ou drogas, buscam tratamentos de "terapia alternativa" sem comprovação científica, abandonam projetos extracurriculares (aulas de músicas, academias etc.).

Além do que, existem muitos estudos científicos publicados por grandes centros universitários no mundo que o Transtorno de Humor não tratado aumenta a prevalência de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas. Isso leva a mais limitações e mais custos financeiros com medicamentos.

Há uma grande associação a Transtorno de Humor e mortalidade precoce. Há relatos de que reduz em dez ou mais anos de vida um bipolar sem tratamento adequado. Essa morte ocorre por consequência das doenças físicas que surjam, como hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, infarto e acidentes vasculares. Fora o risco de suicídio, acidentes automobilísticos, abuso de álcool ou drogas e se colocar em situações de risco, como brigas, esportes radicais, etc.

É fundamental as pessoas se informarem mais sobre o Transtorno de Humor ou Transtorno Bipolar. Com a consciência da doença, o paciente poderá conquistar uma boa qualidade de vida. Essa informação deve ser compartilhada por toda a população para que todos possam identificar e encaminhar os que sofrem da doença ao tratamento adequado. Podem ter episódios mistos, ou seja depressão e euforia concomitante, o que se confunde com quadros de ansiedade.

Dia Mundial da Consciência do TDAH

O Dia Mundial da Consciência do TDAH é o dia 13 de julho. Foi criado pela Organização Mundial de Saúde para chamar a atenção para esta patologia. 
O TDAH é um distúrbio neurobiologico que acomete 3 a 7 % das crianças e 4 % dos adultos . 
Estudos demonstram que a carga genética tem um fator importante . 
Infelizmente pela desinformação muitas crianças e adultos sofrem sem o tratamento adequado, causando um prejuízo na sua vida. 



terça-feira, 11 de julho de 2017

Oxitocina em crianças autistas

Publicado no periódico "Proceedings ou The National Academy of Sciences" de 10 de julho de 2017 um estudo com 32 crianças de 6 a 12 anos com Transtorno do espectro autista (TEA) em que observaram melhora no seu relacionamento social após administração intra nasal de oxitocina. 
A melhora ocorreu no grupo que tinha dosagem baixa desse hormônio antes das duas aplicações diárias da pesquisa. 
A melhora foi observada através de preenchimento de escala de resposta social (SRS) pelos pais. 
Apesar do resultado ser favorável ainda estamos longe de descobrir uma droga específica para o autismo com a melhora da linguagem, comportamento e socialibilidade. Temos ainda que ter cautela nessa indicação por ter sido utilizado num grupo pequeno e precisará ainda ser replicado. 
Veja reportagem que saiu hoje (dia 11/07) no O Globo 
Veja reportagem que saiu hoje no O Globo: 

domingo, 9 de julho de 2017

Idosos com demência demandam cuidados no ambiente doméstico


Com o aumento da expectativa de vida, a incidência de demência vem aumentando bastante. Dos casos de demência, o Alzheimer representa 60% dessa população. As medicações que temos atualmente só melhoram os estágios iniciais da doença. Portanto, cada vez mais é importante associarmos medidas para tentar reduzir ou retardar ao máximo alterações da função cognitiva, comportamental e do funcionamento global.  

Algumas dessas estratégias são realizadas pelo familiar no ambiente doméstico que o idoso vive.

Sabemos que o esquecimento sempre vai ocorrer. Deve-se manter os objetos do seu cotidiano, móveis e porta retratos da forma como sempre foram acostumados. Deve-se evitar mudanças na arrumação dos móveis do quarto para não acelerar o esquecimento e provocar agitação. Se sempre curtiu uma prateleira no quarto onde mantinha os objetos de viagem que colecionava, deixe para ativar as suas memórias.

Para também reforçar as lembranças é sugerido manter álbuns de fotografia de fácil acesso ao idoso. Se gostava de músicas, estimule-o a ter contato com as músicas que apreciava. Assim como, assistir os programas de TV que apreciava. Por exemplo, gostava de ver programa esportivo, ligar a TV nesse horário.

Manter alguns hábitos, mesmo que não peça mais. Por exemplo, gostava de tomar o seu chá sentado numa determinada poltrona. Quando possível, ofereça seu chá nessa poltrona.

Deixar relógio e calendário de fácil acesso no seu quarto. Isso deve ser estimulado pelo familiar e cuidador para manter-se ligado aos horários e dias da semana e perceber as diferenças dos turnos no cotidiano. O quarto deve estar mais claro de dia preferencialmente com luz natural para auxiliar na diferenciação do dia para noite. É importante deixar claro as datas de visita para evitar angustia e espera. Por exemplo, seu neto nunca irá em uma terça no meio tarde visitá-la porque está trabalhando.

Em estágios moderados ou avançados, algumas mudanças podem deixar o idoso mais agitado e inseguro. Cores podem confundí-los e, por isso, deve-se preferir tonalidades mais uniformes e utilizar menos estampas em cortinas, colchas e toalhas de mesa. Casa com muitos espelhos podem assustar os idosos porque muitas das vezes não se reconhecem no próprio reflexo.

Sua autonomia deve ser estimulada ao máximo. Para tentar isso muitas vezes, é preciso etiquetar as gavetas do armário do quarto, banheiro e cozinha para poder se achar. Mesmo que antes era óbvio, que na gaveta do banheiro ficava a escova do cabelo e seu creme, coloque escrito. Assim, quando se esquecer o que fazer após escovar os dentes, poderá ler e se recordar, que tinha o hábito de escovar os cabelos e passar o creme.

Deve-se colocar barras de apoio no corredor, no box e ao lado do vaso sanitário. Assim, cria-se um apoio e a dependência física de um cuidador pode ser evitada por mais tempo. Deve deixar uma cadeira de plástico com braços dentro do box. Quando se cansar de ficar em pé no banho, pode sentar e relaxar.  O piso deve ser antiderrapante e a porta do box deve-se abrir para fora para evitar acidentes.

Deve se evitar tapetes e escadas para não tropeçar. Se são inevitáveis as escadas, devem colocar iluminação e marcas para chamar atenção para o final de cada degrau.

Deve ser mantida uma iluminação branca durante a noite. Muitos problemas são decorrentes de tombos ou batidas em móveis por não enxergar adequadamente. Uma outra sugestão é iluminação com sensor de movimento, assim, não vai precisar procurar o interruptor para acender a luz do banheiro, por exemplo.

Em fases mais avançadas, devem ser trocadas louças e copos de vidro por plástico. Assim como, proteger as quinas dos móveis para evitar acidentes.

Barulhos geralmente agitam muito o idoso e pioram sua confusão mental. Portanto, é recomendável um ambiente com isolamento acústico para reduzir o barulho que vem da rua ou do próprio movimento da casa.

Essas são algumas das medidas que devem ser tomadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com demência.

   

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Gene no Cérebro e Depressão


Já é conhecido que a depressão é uma doença de causa multifatorial, ou seja, é necessário diversos fatores para que a doença se desenvolva. Sabemos que é necessário a associação de estresse, temperamento e genética.
Em 2006, foi descoberto o gene SLc6a15 e, em 2011, foi confirmado a sua relação com o Transtorno depressivo.
Agora, em 2017, foi publicado na revista Journal  of Neuroscience em 06 de julho de 2017, cientistas do Departamento de Anatomia e Neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade Americana, que o gene SLc6a15 ativado em determinadas áreas do cérebro, especialmente no nucleus acumbens, desencadeia a doença.
A pesquisa liderada pela cientista Mary Kay demonstra que ativando esse gene há maior risco para depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.
Além de diversos testes em camundongos, foram examinandos cadáveres que morreram por suicídio. Eles notaram que os nucleus acumbens exibiam desativação desse gene.
Ainda não se sabe como exatamente esse gene SLc6a15 atua no cérebro, mas se sabe que ele tem um papel fundamental na regularização de vários neurotransmissores associados ao humor.
Pesquisas futuras podem levar ao desenvolvimento de novas drogas que possam atuar mais rapidamente no tratamento da depressão e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas que sofrem de depressão.

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...