Falta aos responsáveis orientarem e acompanharem seus filhos
no uso da Internet, da mesma forma como orientam sobre a melhor forma de se
vestir, de se alimentar e de fazer os deveres de casa. Como a maioria desses
pais aprenderam sozinhos, acreditam que aos seus filhos também podem. Ignoram a
evolução da Internet ao longo do tempo, o que acabou potencializando o
malefício que pode proporcionar a esses jovens, quando usada de forma
incorreta.
Os pais devem ficar atentos ao seu próprio comportamento,
porque podem estar estimulando seus filhos a se tornarem dependentes da
Internet. Pais são “espelhos” para as crianças, principalmente na primeira
idade, mas ao longo de toda a vida e crescimento. Precisamos ter consciência de
que somos observados, e até admirados, o tempo todo por nossos filhos. A nossa
mais simples ação tem influência enorme na formação de nossas crianças, e em
relação a isso temos que estar sempre atentos.
Muitas vezes, os pais estão brincando com o seu filho, ou
assistindo o desenho, ou conversando com ele, porém com a atenção dividida pelo
celular, Ipad ou computador. Outra atitude ruim que vejo muito são pais usando
o celular como uma espécie de “Rivotril” dos seus pequenos. Afirmam que só
ficam calmos e “controláveis” no caso de haver uma tela em frente aos olhos.
Para poderem conversar entre si ou com amigos, fazer sua refeição com
tranquilidade ou ter a criança comportada numa sala de espera precisam “plugar”
os pimpolhos em dispositivos eletrônicos, desde muitos pequenos.
Nisso, existe uma certa preguiça envolvida, que normalmente
nós (estou me incluindo nesse grupo, afinal sou mãe), devido a nossa rotina
acelerada hoje em dia, procuramos sempre usar elementos que ajudem nessa
administração do tempo. Conversar com os filhos durante as refeições (em casa
ou no restaurante), estar presente nos momentos em que eles demandam atenção
(na maioria das vezes é só atenção mesmo, alguém para ouvir o que têm a dizer)
e repreender em momentos de mau comportamento é o caminho a ser seguido. Apesar
de mais trabalhoso, é o que vai ensiná-los a serem pessoas melhores no futuro.
Acreditem, vale a pena.
Abaixo algumas ações importantes.
- Os pais não devem utilizar o eletrônico como babá.
- Marque horário para o uso e supervisione o cumprimento
desse horário.
- Não associe finalizar obrigações e deveres com o uso do
eletrônico. Isso estimula a fazer rápido e sem qualidade para ir rápido para a
atividade prazerosa, além de reforçar essa sensação de prazer.
- Participe de algumas atividades na Internet que envolvam
pais e filhos. Assim você aproveita para ensinar a usar e conhecer o interesse
que ele tem na rede.
- Utilize as ferramentas que ele use no cotidiano. Por
exemplo, seu filho fica no Instagram, tenha uma conta e siga o que ele gosta.
Assim poderá orientá-lo melhor e saber dos interesses de seus filhos.
- Tenha a senha dos eletrônicos de seu filho, mas de forma
que ele saiba que você tem. É necessário saber que você está acompanhando as
suas atividades, se necessário. A privacidade
tem que ser conquistada de acordo com maturidade e responsabilidades.
- Não autorize de forma alguma a ele mentir a idade para
poder participar de algum grupo ou ferramenta. Se existe um limite de idade é
porque existe razão para isso.
- Quando o seu filho se cansar do jogo, não facilite a
compra de outro imediatamente. Aproveite esse momento para estimular outros
interesses fora da Web.
- Estimule programa com amigos e família. Convide amigos
para ir a sua casa brincar com os seus filhos, assista séries, desenhos ou
filmes com eles, estimule brincadeiras ou jogos em família, frequente
livrarias, ouça música etc.
- Faça pelo menos uma refeição em família ao dia (mesmo que
nem todos os integrantes estejam), sem TV ligada ou eletrônicos a mesa. Deixe a
conversa fluir.
- Programe pelo menos uma atividade de final de semana em
família. Todos curtindo a programação, como a escolha de um restaurante, uma
série em casa, uma praia etc.
- Não fique preocupado se reclamar que está entediado por
não ter nada interessante para fazer. É importante ele aprender a lidar com
esse “tédio”. Nesse momento irá trabalhar a imaginação para driblar essa
situação desconfortante. Também é nesse momento que ele vai refletir sobre o
que ocorreu no dia a dia e vai crescer.
- Se necessário, utilize filtros parentais e bloqueio de
acesso.
- Estimule sempre atividade física regular, levando em
consideração a aptidão e a necessidade de atividade individual ou coletiva, com
amigos ou familiares.
- Determine horário regular para dormir e atividades mais
tranquilas a noite.

