segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O que fazer com o meu filho que tem medo de escuro?

É muito comum a criança ter medo de escuro na faixa dos 3 aos 7 anos de idade.
Nessa fase as crianças estão com a imaginação bem aguçada. É a idade em que a criança se interessa muito por contos, desenhos e filmes com personagens como bruxas, duendes, monstros, super heróis etc.

Também já começam a prestar atenção no noticiário e novelas que os pais assistem e na própria conversa dos adultos que as cercam, que narram alguns crimes assustadores. Pode parecer que a criança está distraída nas suas brincadeiras mas ela fica antenada em tudo que acontece ao seu redor.

Esse medo aparece na hora de dormir porque é a hora em que a criança está sozinha, longe dos seus pais.  O escuro ajuda na montagem do cenário.
É comum as crianças pedirem para dormir na cama dos pais. Os pais devem negar, apesar de ser muito gostoso e cômodo. A criança dormir com os pais só contribui em reforçar o medo da criança (recomendo a leitura nesse blog do artigo “Meu filho não quer dormir na sua cama” publicado em 04/10/11).

Os pais devem passar segurança para o seu filho. Conversar bastante sobre o que tem medo. Explicar que monstros e bruxas só existem no mundo da imaginação. Relatar que o escuro é igualzinho ao dia com  a luz apagada, que não existem diferenças entre o dia e a noite. Parece óbvio, mas muitas das vezes não é para o seu filho.

Na hora da criança se deitar pode um dos pais ficar ao seu lado até adormecer. É importante não mentir, afirmando que ficará a noite toda de seu lado. Explique que não há necessidade porque a casa é bastante segura, mas que entende o medo e vai ajuda-lo até pegar no sono.

Pode-se também deixar acesa uma luz discreta (como uma pequena luz de canto). Se a luz incomodar muito, e a criança tem um espírito aventureiro, presentear com uma lanterna “bem maneira” pode ser uma boa ideia, para deixar embaixo do travesseiro e ser usada em caso de necessidade.

Também deve ser estimulada a autonomia da criança. A criança pode ficar responsável por algumas tarefas. Por exemplo, ela deve trocar a água do seu bicho de estimação, arrumar uma determinada gaveta ou prateleira, separar o que precisa levar para o banho, lembrar de acender ou apagar a luz da varanda, arrumar a sua mochila etc. Essas atividades vão sendo dadas de acordo com a idade e aumentando com o tempo. Sempre procure elogiar cada tarefa que a criança der conta.


Essas estratégias ajudam na segurança e auto estima da criança. A criança se sentindo mais auto confiante se sente apta a enfrentar os seus medos. Se esse conjunto de estratégias não melhorarem o medo de escuro do seu filho, procure ajuda de um especialista.   
 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cientistas parecem estar perto da detecção de Alzheimer pelo exame de sangue



Atualmente apenas se conta com exames de imagem, testes neuropsicológicos e entrevista médica para detectar Alzheimer. 

Houve uma publicação recente na revista Genome Biology, que fala sobre a existência de fragmentos minúsculos de material genético no sangue, que podem ser detectados em pacientes com Alzheimer.
Houve 93% de acertos num grupo de 202 pessoas que participaram da pesquisa alemã. Houve diferenciação clara das pessoas saudáveis das acometidas com Alzheimer.

Por enquanto, está em estudo por cientistas alemães, que acreditam que em alguns anos será possível detectar a doença pelo exame de sangue.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

TDAH e o uso de drogas psicoativas (Ilícitas, Álcool e Drogas)

Diversos estudos que acompanham crianças com TDAH durante anos, no Brasil e no mundo, observam maior risco de uso de drogas, álcool e nicotina. Existem várias hipóteses para essa associação:

- Podem ter uma genética em comum, especialmente o gene DAT1.
- Pessoas acometidas de TDAH tendem a buscar mais gratificações imediatas.
- TDAH propõe menor capacidade de planejamento, ou seja, menor capacidade de antecipar as consequências de seus atos imediatos.
- TDAH e o uso de drogas têm disfunção dopaminérgica.
- Crianças e adolescentes com TDAH têm geralmente baixa autoestima, devido aos prejuízos de função executiva ou acadêmica que acumulam ao longo dos anos.

Foi observado também que quando se avalia grupos de pessoas com abuso de drogas e álcool cerca de 35% tem diagnóstico de TDAH, tratado ou não. O mesmo ocorre quando estudamos grupos de pessoas acometidas por dependência de nicotina. Nesses casos, também acrescenta a hipótese da nicotina melhorar a atenção, reforçando a continuidade do tabagismo.

Conclui-se que, para melhor adesão e resposta ao tratamento das pessoas acometidas por dependência de drogas, álcool ou nicotina, deve-se avaliar a presença de TDAH, para associação ao tratamento.


Sugestões de leitura complementares nesse blog: artigos publicados nas datas de 05 abr 2011; 28 mai 2012; 03, 05 e  06 jun 2012; 17 jul 2012;   11 e 13 dez 2012; 10 e 13 jun 2013.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Neurodesenvolvimento de crianças expostas a antidepressivos ou à Depressão Materna Não Tratada

A farmacoterapia da depressão em grávidas sempre teve muita polêmica, pois sabemos que algumas drogas podem ser teratogênicas (provocam mal formação do bebê) e que muitos antidepressivos já são prescritos para as gestantes em depressão.
Isto porque já se comprova estatisticamente que gestantes deprimidas tem maior chance de complicações obstétricas, tais como ganho de peso, risco de diabetes gestacional, eclampsia, natimortos, prematuridade, crescimento prejudicado do bebê, malformações, deficit cognitivo e psicopatologias mentais nas crianças.

Foi publicado um estudo onde foi avaliado o neurodesenvolvimento de crianças expostas aos antidepressivos e de crianças expostas à depressão materna durante a gravidez. Esse estudo foi publicado na revista médica Am J Psychiatry em 2012 (169:1165 a 1174) e apresentado na 23ª Conferencia Anual da Organização de Especialistas em Informação de Teratologia e 34º Encontro Anual da Sociedade de Teratologia Neurocomportamental. 

Os participantes do estudo foram selecionadas no programa de monitoramento de risco materno do Hospital for Sick Children de Toronto. Lá existe um banco de dados que registra todo aconselhamento de medicamentos usados durante a gestação, e todos os riscos de teratogenicidade de diversos medicamentos, inclusive de antidepressivos. Foram incluídas mulheres deprimidas diagnosticadas pelo psiquiatra, com uso de certos antidepressivos padronizados, e sem uso de antidepressivos.

Um psicometrista, sem conhecimento se a mãe usou ou não antidepressivo, acompanhou o desenvolvimento neuropsíquico dessas crianças, através de testes neuropsicológicos. Foram observadas as seguintes características:
  • Não houve diferença no peso ao nascimento das crianças que  foram expostas ao antidepressivo do grupo das crianças expostas á depressão. 
  • Não houve diferenças significativas  nos testes de inteligência dessas crianças, sendo levado em consideração a inteligência da mãe.

  • Não houve diferença significativa em alterações comportamentais nessas crianças. 

De modo geral, não foi encontrado nenhum efeito do antidepressivo sobre o desfecho intelectual e comportamental das crianças.


Sabe-se que a depressão materna não tratada leva a um risco aumentado de depressão pós-parto e que a exposição fetal e na infância à depressão materna são preditores significativos de problemas do comportamento. Pode também aumentar o risco de desenvolver algum problema de saúde mental.

Recomendo a leitura no blog do artigo “Gravidez e Medicamentos Controlados” publicado em 8 de setembro de 2012. 


terça-feira, 9 de julho de 2013

TDAH na infância aumenta o risco de obesidade na vida adulta


Vários artigos referem que a criança com TDAH tem maior risco de obesidade na vida adulta. Acredita-se que o ganho de peso é consequência da dificuldade de controlar os impulsos e a falta de planejamento para se criar um bom hábito alimentar.

Foi recentemente publicado um artigo pela revista Pediatrics (maio de 2013) em que a Universidade de Nova York acompanhou 222 indivíduos do sexo masculino. Esses meninos foram acompanhados a partir dos oito anos, até completarem 41 anos.

Metade desses homens foram diagnosticados com TDAH na infância e a outra metade sem nenhum distúrbio. Dos participantes com TDAH, 41% foram considerados obesos na vida adulta.


Ter conhecimento disso é muito importante para o médico e o familiar das crianças com TDAH estarem atentos para melhor orientação.  

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...