domingo, 20 de março de 2016

Dificuldade no Reconhecimento do TDAH em Mulheres

Cada vez mais mulheres procuram tratamento médico ou psicológico para ansiedade, depressão e baixa autoestima. Muitas dessas pacientes tem a sua vida repleta de desorganização, disfunção executiva e desatenção, com todas as  características de  um TDAH (Transtorno de déficit de atenção e / ou hiperatividade).
Esses sintomas normalmente iniciaram na Infância e foram se agravando na vida adulta, quando precisa dar conta de muito mais afazeres. Esse quadro acaba levando a depressão, ansiedade, baixa autoestima e insônia. Essas queixas são o que motiva a busca de auxilio profissional.
O TDAH é um distúrbio neurobiológico crônico, que se desenvolve antes dos 12 anos de idade. Os sintomas vem desde a fase de criança  e se mantém  na vida adulta. Como se tem muitos anos de evolução, raramente a mulher adulta traz esses sintomas como um problema. Ela já aceita esse quadro como “o seu jeito de lidar com a vida”.
Ao entrevistar essas pacientes, percebo o prejuízo em sua vida. Entretanto, elas parecem “jogar a toalha” por achar que isso não tem solução, por fazer parte do seu temperamento. Vejo constantemente no meu consultório pacientem adultas que me procuram para depressão ou ansiedade, mas que seu diagnóstico principal é o TDAH.
O estudo publicado recentemente no Journal Psychiatry confirma o que venho percebendo na minha prática clínica. Veja o artigo publicado em 2015 no link abaixo.


Recomendo também a leitura dos seguintes artigos nesse blog.

Entenda o TDAH – 13/12/12

domingo, 13 de março de 2016

Poucas horas de sono leva a ganho de peso

Um estudo da Universidade de Chicago mostra que a privação do sono tem relação direta com o ganho de peso. Esse efeito teria mecanismo semelhante ao efeito causador do aumento de apetite dos usuários de maconha (popularmente conhecido como "larica").
 
A autora desse estudo revela que a privação do sono pode aumentar os níveis de endocanabinoiide 2- araquidonoilglicerol, que aumenta o desejo de ingestão de alimentos.Essas pessoas tem um pico dos níveis dessa substancia entre 14h e 21h. Por isso, aumenta a vontade de fazer os "lanchinho da noite".
 
Essa associação privação de sono e  ganho de peso é de grande relevância clinica porque no mundo atual percebemos que cada vez mais se dorme menos e cada vez mais se luta contra a balança. Existe outra preocupação complementar nessa descoberta:. sabemos também que a população dorme menos porque se distrai com produtos eletrônicos. Esses aparelhos estimulam o cérebro, levando a uma alteração do relógio biológico, agravando ainda mais a associação privação de sono e obesidade.A privação do sono é mais grave ainda na população jovem, que já sofre essas ações a nível cerebral desde pequenos
 
Deve ser informado á população geral sobre a importância de uma boa noite de sono como preventivo a uma série de doenças, incluída a obesidade..
 
Sugiro a leitura nesse blog dos seguintes artigos.
 
- Importância do sono das crianças publicado em 1/11/15
- Insônia em 18/3/11
- Dormir mal em 3/4/11


Veja também o link publicado no O Globo sobre essa pesquisa.
 

domingo, 6 de março de 2016

Refletindo Sobre o Papel dos Pais

Saiu na Revista O Globo de 6 de março de 2016, na sessão colunista convidado, a reportagem "A Reinvenção do Pai" com a psicanalista Malvine Zalcberg.

Malvine disserta sobre as atitudes dos pais hoje em dia em relação ao comportamento dos filhos, a partir de uma noticia recente, em que jovens alunas de escolas tradicionais de São Paulo e Porto Alegre, inconformadas com a proibição de usar shorts durante as aulas, protestaram através de abaixo assinado e redes sociais. A diretora da escola explicou que o colégio tem regras e que tantos meninos e meninas só podem usar bermudas na altura do joelho.

Está ai a palavra chave: REGRAS. Porque hoje em dia os jovens têm tanta dificuldade em seguir regras?

No passado, na época em que eu era aluna do ensino medio, achava horroroso usar uniforme mas seguia as regras. O que mudou da minha época de jovem para hoje é que existiam pais, no sentido da figura responsável em impor limites necessários para o meu crescimento e desenvolvimento como pessoa. Esses pais eram educadores, mesmo correndo o risco de cometer erros ou excessos. Sabia que a Sociedade era fornada de regras e hierarquia que começava dentro de casa. Todos os jovens reclamavam dos pais, mas os amavam, e entendiam essa necessidade com o passar dos anos.

Hoje os pais querem sempre parecer mais jovens e amigos dos filhos. Com isso, tentam agradar ao máximo, sem ensinar os limites, por medo de não serem amados pelos filhos. As crianças crescem achando que a sociedade funciona como dentro de casa,. acreditam que devem aceitar apenas o que gostam. Devem discutir regras porque fazem isso com os pais o tempo todo. A discussão é sadia, porém a responsabilidade da palavra final é dos pais, independente do quão antipática possa parecer essa decisão. Amigos ele vai encontrar na escola, faculdade e eventos sociais, pai e mãe ele precisa ter em casa.

Para essa reflexão sugiro também a leitura no blog dos seguintes artigos.

- A necessidade de não premiar comportamento ruim de seu filho (publicado em 26/1/15)
- Como criar as crianças sem deixá las mimadas (publicado em 30/04/14)
- Seu filho precisa mesmo ser feliz? (publicado em 28/4/14)
- A importância de deixar os filhos terem frustrações (publicado em 20/1/13)
- Como definir limites para adolescentes (publicado em 8/11/11)
- Como definir limites em nossas crianças no mundo de hoje (publicado em 7/11/11)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Mutismo Eletivo


O Mutismo Eletivo é uma doença descrita pela Organização Mundial de Saúde no capítulo dos Transtornos Mentais e comportamentais e representado pelo código F94.0. É caracterizado pela recusa da criança em falar em alguns locais, em algumas ocasiões ou com certas pessoas. As crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar adequadamente. É uma patologia pouco conhecida, presente em menos de 1% da população com distúrbios psiquiátricos. Segundo a "American of Child and Adolescent", têm  mutismo eletivo 7 entre cada 1000 crianças.

Essas crianças têm o interesse em se comunicar. Interagem através do olhar, gestos, sinais e pela linguagem corporal. Quando diante de um adulto desconhecido ou pouco íntimo tende a baixar o olhar pela timidez. Ela consegue falar normalmente em casa ou até pelo telefone, mas se mantém muda fora do ambiente doméstico.

O mutismo eletivo pode ocorrer em qualquer faixa etária da criança. É mais comum ter o seu início antes dos cinco anos. É também mais frequente em meninas. A percepção dessa criança é que ela é o centro das atenções, isso provoca uma intensa ansiedade. Esse desconforto é tão grande que inibe a sua fala.

A causa do mutismo eletivo é multifatorial, são diversos elementos que precisam estar presentes para desenvolver esse transtorno. É necessário nascer com uma predisposição genética para desenvolver uma síndrome ansiosa diante de um estresse. É preciso ter um temperamento mais tímido. Normalmente existe relato prévio de ter sido uma criança muito tímida e pouco sociável. É também encontrada uma interação familiar com características de simbiose, geralmente essa relação de dependência ocorre com a mãe.

Também contribui para o desenvolvimento do Mutismo Eletivo a forma como os pais influenciam a criança, por exemplo, demonstrando que pensam na interação com outras pessoas como uma situação desagradável e problemática. Em poucos casos o início ocorre após um trauma, mas sempre é encontrado com intensidade menor do que os casos relacionados com os fatos anteriormente citados.

Essas crianças desejam se comunicar mas não conseguem fora do seu ambiente "seguro". Esse é um grande diferencial para não dar erroneamente o diagnóstico de Autismo. É comum estar presente timidez exagerada, ataques de birra, agressividade, raiva, mudança de humor e intensa ansiedade. Alguns relatos falam de crianças em que os sintomas desapareceram espontaneamente. A maioria dessas crianças leva à cronicidade, caso não buquem tratamento, logo após início do quadro.

O tratamento do Mutismo Eletivo não é bem descrito na literatura. O foco do tratamento é a psicoterapia individual e familiar. É necessário atenuar as manifestações comportamentais dessa criança através de melhora da sua sensação de segurança, aumento da autoestima e redução da ansiedade.O uso de psicofarmacos pelo neuropsiquiatra é restrito para combater os sintomas de raiva, agressividade, ansiedade e mudanças de humor. Também pode ser indicado o medicamento quando o especialista diagnostica outras comorbidades ao mutismo nessa criança.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Crianças com TDAH Vivem Menos que a População Geral



Esse estudo foi realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Foi publicado na “Frontiers of Molecular Neuroscience” e no site “EurekAlert”, em setembro de 2015.

Sempre se soube que a criança de TDAH impacta a família sob o aspecto emocional e social, devido ao quadro de desatenção e especialmente pela hiperatividade. O que até então não se sabia é que o TDAH influencia o DNA dos portadores e de seus familiares, aumentando o risco de envelhecimento precoce e o surgimento de novas doenças. Isso levaria a redução da expectativa de vida.

Os pesquisadores identificaram que os telômeros estão reduzidos nas crianças com TDAH e em suas mães. Os telômeros são marcadores biológicos que ficam na ponta dos cromossomos e que se desgastam com o tempo e fatores estressores, levando ao envelhecimento precoce.

Nesse estudo foi analisado material genético de crianças de 6 a 16 anos com TDAH e de seus pais. Observou-se que tanto no grupo de crianças com TDAH quanto no e de suas mães havia redução dos telômeros. Essa redução não foi encontrada no grupo de pais. Acredita-se que a diminuição dos telômeros ocorreu no grupo de mães e não no de pais porque são as genitoras que ficam maior tempo responsável pelos filhos.

Essa pesquisa revelou que a criança com TDAH não envolve a família apenas pelo efeito emocional. Há acometimento biológico e que pode afetar futuras gerações. O encurtamento do telômero pode ser passado para os filhos.

Isso aumenta a importância de se iniciar o mais cedo possível o tratamento da criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

A Importância de uma Boa Noite de Sono

Para realmente valorizar um boa noite de sono, temos primeiro que entender a definição de ritmo circadiano. O Ritmo circadiano é um e...